Blog Canivete

publicado em 14 de dezembro de 2020

TERMINAÇÃO DE NELORE JOVEM EM CONFINAMENTO COM DIETA SEM VOLUMOSO – Parte 2

O uso dos coprodutos da indústria de etanol de milho em dietas de confinamento.

Como vimos no primeiro artigo da série, a terminação de Nelore Jovem em confinamento com dieta sem volumoso já é uma realidade para muitos produtores. O perfil dos animais abatidos no estado de Mato Grosso tem mudado, sendo estes cada vez mais jovens, caracterizando um desafio conseguir terminá-los com qualidade e de maneira viável. E é aqui que os coprodutos da indústria de etanol de milho apresentam um grande potencial.

Para conseguir alcançar uma carcaça de qualidade mais precoce e pesada, o perfil da composição da dieta precisa estar adequado com o objetivo. Dentre os ingredientes disponíveis para composição destas dietas, os coprodutos da indústria de etanol de milho, como os Grãos Secos de Destilaria (DDG) e os Grãos Úmidos de Destilaria (WDG), por exemplo, possuem papel importantíssimo na viabilidade zootécnica e econômica dessa estratégia de produção. Os coprodutos do milho apresentam alto teor de fibra digestível e proteína e ainda assim conseguem elevar os níveis de energia da dieta. Outra grande contribuição desse ingrediente é reduzir o amido total da dieta, diminuindo distúrbios metabólicos, melhorando o ambiente ruminal e, consequentemente, otimizando o desempenho animal. Para melhorar, o preço destes coprodutos muitas vezes é mais atrativo do que outras opções, como o farelo de soja por exemplo.

A crescente produção de etanol de milho no Brasil possibilita o aumento da oferta de seus coprodutos. Logo o DDG e suas variações serão utilizados, não somente em animais de terminação, mas com maior frequência na alimentação de vacas (primíparas, por exemplo) e recria – bezerros após a desmama – por exemplo. Esta tendência deve seguir nos próximos anos, principalmente em Mato Grosso e Goiás, já que se tem anúncios de expansão de plantas já existentes e também construção de novas indústrias de produção de etanol, como mostramos no mapa a seguir:

Conforme o artigo “COMO AUMENTAR O LUCRO DO CONFINAMENTO COM O DDG?”, publicado anteriormente aqui no blog, existem diversos tipos de coprodutos que são derivados da produção do etanol de milho, cada um resultante de uma etapa do processo e com suas particularidades:

  • DDG: Os sólidos grosseiros resultantes do processo de centrifugação da vinhaça passam por uma secagem e podem ser comercializados como Grãos Secos de Destilaria, ou em inglês, Dried Distillers Grains.
  • WDG: Os mesmos sólidos grosseiros resultantes do processo de centrifugação da vinhaça completa, se forem comercializados sem passar pela secagem, são chamados de Grãos Úmidos de Destilaria, ou em inglês, Wet Distillers Grains.
  • DDGS: Que nada mais é do que o grão seco de destilaria com adição dos solúveis ou xarope. Uma das vantagens da adição dos solúveis é o aumento do valor energético do produto.
  • WDGS: Seguindo a mesma lógica, é o grão úmido de destilaria com adição de solúveis ou xarope.

Além destes tipos de coprodutos, podemos também obter o HiPro DDGS e o Bran + Solubles (DDBS), resultado da tecnologia utilizada no processo produtivo. Algumas variações de DDGs podem ainda apresentar inconsistência na sua composição ou falta de padronização, ou seja, variar a qualidade e, por isso, é muito importante realizar análises bromatológicas e monitorar com frequência este insumo.

Qual o ponto ótimo de inclusão do DDG e WDG?

experimento conduzido no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Pedra Preta – MT, testando níveis de inclusões de DDG alta fibra (FS Ouro®)  teve por resultado que a presença de 20% do produto na dieta ocasionaria o maior ganho de peso e também peso de carcaça. Ocorre que devido à combinação dos preços dos ingredientes, a inclusão de 33% do DDG alta fibra proporcionou o melhor retorno econômico, neste caso.

Os tratamentos testados foram: DDG0; DDG25; DDG50 e DDG75, sendo respectivamente, dieta sem DDG, dieta contendo 25%; 50% e 75% de DDG. A tabela abaixo ilustra os resultados:

Para entender a fundo os resultados do experimento, é só conferir o artigo escrito pelo Dr. Leandro Soares Martins, Gerente de Pesquisa da Nutripura.

O Prof. Dr. Flávio Augusto Portela Santos, da ESALQ/USP, demonstrou em sua palestra (*dados não publicados), durante o evento beneficente da Nutripura, Carne na Mesa – outro experimento com diferentes níveis de inclusão do DDG alta fibra (FS Ouro®) na dieta. Segue tabela abaixo:

A dieta controle é uma dieta típica e muito utilizada ainda em confinamentos, com casca de soja, milho, caroço de algodão e farelo de soja. O farelo de soja foi completamente substituído pelo DDBS, enquanto o milho foi gradualmente retirado conforme a adição do DDBS, até o nível de 45% de inclusão do FS OURO na dieta.

Em relação ao consumo de matéria seca, não houve diferenças estatística entre os tratamentos, porém conforme foi adicionado, nas palavras do Prof. Flávio Portela “este coproduto fibroso, sem amido, que teoricamente deveria ser pior do que o milho – ele substituiu parte do milho, todo o farelo de soja e o caroço de algodão – ainda aumentou o ganho de peso dos animais de forma linear”.

Aumentar o nível de inclusão para mais de 45% não é recomendado, já que pode trazer riscos para a saúde do animal, como a doença Polioencefalomalacia (PEM). Além disso deve-se ficar atento aos níveis de enxofre na dieta, assim como os de micotoxinas, sempre avaliando e monitorando esses padrões de qualidade dos insumos, para que os riscos sejam mitigados. Para isso, um bom acompanhamento técnico é fundamental para o sucesso da atividade.

Estes coprodutos apresentam diversas vantagens, como o caso do WDG, que além das qualidades mencionadas previamente, em função da umidade, também oferece uma excelente homogeneidade em dietas sem volumoso ou com volumosos de baixa qualidade (como o capulho, bagaço de cana, ou a casca do caroço de algodão), evitando a seleção de ingredientes e proporciona um consumo mais uniforme da dieta.

A equipe de Pós Venda da Nutripura define o nível de inclusão do coproduto na dieta considerando não só a viabilidade técnica, mas também a viabilidade econômica para a tomada de decisão, conforme o sistema de produção de cada parceiro.

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