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publicado em 2 de agosto de 2021

SUPLEMENTAÇÃO PARA GADO DE CORTE EM PASTAGEM – POR QUE FAZER?

Para animais em pastagem, a suplementação torna-se imprescindível para que o pecuarista alcance melhores resultados, tanto produtivos quanto econômicos.

Você sabia que mais de 80% da produção pecuária brasileira ocorre em condição de pastagem? No entanto, por melhor que seja o capim, ele não fornece todos os nutrientes que o gado precisa ao longo do ano. Por isso, estratégias de suplementação (mineral, proteica e proteica energética) são fundamentais para pecuaristas que buscam boa produtividade e rentabilidade.

Quando bem planejada, essa técnica visa recuperar o desequilíbrio de minerais na pastagem. Com isso, é conquistada uma melhora no desempenho animal, com a suplementação a pasto proporcionando acréscimos na taxa de lotação, elevando a produtividade do sistema produtivo.

Além disso, ao suplementar a dieta dos animais que estão na pastagem com energia e proteína, pode-se manejar pastos mais baixos em comparação à suplementação apenas com sal mineral, sem que ocorra redução da densidade populacional de perfilhos.

Entretanto, a decisão pela suplementação do gado a pasto enfrenta muitos desafios, sendo bastante importante que entendamos quais são as principais estratégias relacionadas à suplementação a pasto e que merecem toda a atenção por parte de pecuaristas brasileiros.

Por que suplementar o gado na pastagem?

Na pecuária, para expressar o máximo potencial genético relacionado ao ganho de peso dos animais, é bastante importante que as exigências nutricionais sejam supridas, tais como proteínas, energia, vitaminas e minerais.

O que ocorre, porém, é que nas condições exclusivas de produção em pastagem, as exigências não serão atendidas somente pela forragem. Mesmo no verão e com pastagens vistosas e verdes, o animal não será capaz de expressar seu máximo desempenho em ganho de peso, principalmente devido ao valor nutritivo das diferentes forragens, utilizadas nos diferentes sistemas de produção de bovinos de corte.

Dessa forma, o máximo de desempenho animal depende de um maior conhecimento do nutriente que limita a produção. Com essa definição, a correta suplementação torna-se a solução para corrigir limitações.

Mas há vários tipos de estratégias de suplementação que o pecuarista pode lançar mão. Assim, cabe a definir muito bem seus objetivos (produtivos e econômicos): Você prioriza animais mais pesados, animais com bom acabamento, abater o gado mais cedo? Criar bezerros?

Definido esses objetivos, a suplementação feita nos animais presentes na pastagem permitirá alcançar excelentes resultados para sistemas pecuários.

Objetivos da suplementação de animais a pasto

Como vimos, o uso do suplemento em animais a pasto é importante para que a produção se desenvolva de forma sustentável e o sistema seja mais lucrativo. Esse suplemento deve ser ministrado juntamente com a alimentação habitual (forrageiras).

O reforço alimentar é indispensável, funcionando como um complemento na dieta dos animais, adicionando elementos nutricionais que geram equilíbrio fisiológico para diversas funções, como crescimento, ganho de peso, sobrevivência e reprodução.

Uma formulação específica dos minerais influencia diretamente a absorção adequada e o consumo equilibrado dos animais, melhorando os resultados de acordo com os objetivos do sistema de produção.

Assim, o objetivo da suplementação é o de melhorar o desempenho do animal em pastejo, melhorando a utilização da pastagem disponível. Isso ocorre por meio do favorecimento dos microrganismos do rúmen, de forma a estimular o consumo e digestibilidade do pasto.

Mas, ainda que estes objetivos sejam de natureza biológica, a efetividade da suplementação deve sempre estar baseada numa análise de viabilidade econômica dentro de um determinado sistema extensivo de produção, por isso a adoção de estratégias de suplementação é fundamental.

Estratégias de suplementação de gado a pasto

No Brasil, a cadeia pecuária é geralmente dividida em três categorias: cria, recria e engorda. Cada uma destas categorias merece total atenção dentro da necessidade de suplementação a pasto.

A fase de cria compreende a reprodução e o crescimento de bezerros até a desmama, que ocorre entre seis e oito meses de idade em sistemas mais tradicionais até 110 dias em sistemas de bezerros precoces.

“O processo de deposição de gordura intramuscular começa com o animal ainda na fase jovem e vai se acumulando, tornando-se visível em fases mais avançadas. A questão do marmoreio não é o processo final de maturação do animal em terminação, é um processo cumulativo afirma o Prof. Doutor Flavio A. Portela Santos, em palestra.

Uma vez que os adipócitos se formam ao final do período fetal até 250 dias do pós natal, vem sendo estudado se através da nutrição nós conseguimos – ou não – estimular a formação destes adipócitos (intramusculares) sem levar a formação excessiva de adipócitos da gordura subcutânea. Estes experimentos são chamados de “impressão” do marmoreio. É a partir dos três meses de vida (pós desmama precoce) até os 250 dias de vida a janela quando existe a possibilidade de realizar justamente esta impressão do marmoreio.

O regime nutricional consegue manipular também o peso maduro. Quando o bezerro é desmamado e entra em confinamento para ser abatido com 12-14 meses de idade e vem em um ritmo de ganho de peso acelerado desde o nascimento, esse animal chega com um teor de gordura subcutânea desejada mais leve, ou seja, mais precoce.

Agora, se o bezerro é desmamado, recriado durante a primeira seca e as águas e só então é terminado em confinamento ou semi-confinamento para ser abatido aos 24 meses, esse animal vai chegar no mesmo grau de acabamento que o animal de 12 meses, porém com um peso mais alto.

A restrição energética no crescimento sem restrição de proteína permite ao animal continuar depositando proteína a taxas normais, com menor deposição de gordura. Esta é uma maneira de aumentar o peso maduro para abater o animal mais pesado.

Quando pensamos no bezerro que desmamou e vai enfrentar a primeira seca, a mentalidade do pecuarista brasileiro tem mudado. Cada vez mais se fala em estratégias de suplementação não somente para manutenção, mas sim para ganho de peso. Este bezerro costuma chegar na fazenda com um ágio muito caro e se depara com um pasto de qualidade muito baixa, o que torna esta primeira seca tão crítica para seu desempenho e resultado final.

Nas fases de recria e engorda o objetivo do sistema de produção é bastante claro: alcançar maior ganho de peso e melhor deposição de gordura.

Dentro do período seco e frio é fundamental ofertar suplementos nitrogenados, principalmente em razão da deficiência destes nutrientes na pastagem, fato esse que pode afetar a digestibilidade e o consumo dos animais.

Assim, no período seco, uma boa estratégia de suplementação a pasto é fazer uso de suplementos proteicos de alta degradabilidade.

Já no período das águas a utilização de suplementos proteicos de baixa degradabilidade ruminal e pequenos incrementos calóricos é uma boa recomendação para ajudar o gado a consumir mais forragem.

Sendo assim, a suplementação para animais a pasto se constitui em ferramenta auxiliar para:

  • Melhorar o desempenho individual dos animais;
  • Aumentar a taxa de lotação da pastagem;
  • Aumentar a produção total de carne por unidade de área, melhorando a eficiência do sistema;
  • Melhorar a qualidade da carcaça obtida;
  • Favorecer a preparação dos animais que serão terminados em confinamento, podendo inclusive contribuir com o encurtamento do período seguinte.

Principais tipos de suplementação para animais a pasto

Como vimos até aqui, em sistemas de produção já estabelecidos, a suplementação surge como uma ferramenta auxiliar às pastagens, visando produções compatíveis com a capacidade genética dos animais.

Neste contexto, basicamente trabalhamos com a distinção de dois períodos, o período das águas e o período da seca. Logo, teremos suplementos certos para a época certa. No segundo caso muitos cuidados são exigidos, como já ressaltamos neste artigo.

Independentemente do período, a suplementação a pasto é muito vantajosa para o gado de corte. No entanto, ela deve ser implementada conforme o objetivo do negócio, levando em conta  as características e necessidades de cada animal.

A seguir serão apresentados os tipos de suplementações para o gado mais adotados na pecuária.

Suplementação com sal mineral

Visa combater a deficiência de minerais, que interfere diretamente no crescimento do gado, permitindo um funcionamento mais correto do seu organismo. Cabe aos minerais aumentar as defesas do sistema imunológico dos animais, assim como auxilia no sistema digestivo.

Suplementação com sal mineral + ureia

Este tipo de suplemento é mais utilizado em tempos de seca, momento em que os animais sofrem com a baixa qualidade da pastagem e baixa oferta de proteína. O objetivo principal desse suplemento, quando utilizado com sal mineral, é fazer com que os animais permaneçam dentro do peso considerado adequado para o período.

Suplementação com sal mineral proteinado

Este é um tipo de suplemento mineral com adição de proteínas de origem vegetal como farelo de soja por exemplo. Vale lembrar que a falta de proteína na alimentação do gado impede a fermentação ruminal, podendo comprometer a ingestão da forragem e o ganho de peso.

O suplemento com proteína possui custo mais alto, porém é usado em menor quantidade, além de ter retornos mais expressivos, indicando um excelente custo-benefício, com o objetivo de potencializar a alimentação já frequente do animal.

Suplementação com sal mineral proteico-energético:

Essa suplementação reúne componentes proteicos e energéticos ao mesmo tempo, sendo uma forma de oferecer mais energia ao animal, que terá maior desempenho em seu desenvolvimento.

É comum que, à medida que o gado faz a ingestão da suplementação, o consumo da forragem diminua. Muitas vezes isso acontece devido ao próprio processo de substituição, mas também pela resistência natural do animal.

Sendo assim, a suplementação para gado de corte a pasto é uma medida importante não só para manter o animal saudável em tempos de seca, mas também para a época das chuvas, como forma de melhor aproveitar o potencial genético do animal, por meio da estratégia mais adequada de nutrição animal, conforme cada caso.

E você amigo pecuarista? Você usa qual tipo de suplementação para seus animais a pasto?

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    Pedro Silvestre de Lima

    Vivo a pecuária desde que nasci. Já fui monitor do curso Especialização em Nutrição de Ruminantes e Pastagens da ESALQ/USP durante dois anos e meio, trabalhei com consultoria técnica, empreendedorismo, mercado e inovação na pecuária de corte. Hoje atuo no fomento e disseminação de informações úteis e relevantes, com foco no lucro sustentável para o produtor rural.