Blog Canivete

publicado em 14 de dezembro de 2020

SUPLEMENTAÇÃO NA RECRIA A PASTO DURANTE O PERÍODO DAS SECAS

O período das secas representa um grande desafio na produção, já que a principal fonte de alimento do rebanho, o pasto, sofre diante do déficit hídrico. Durante este período as pastagens perdem qualidade, vigor e, por consequência, nutrientes. Na maioria dos casos o principal fator limitante é a proteína, responsável por aumentar a população de microrganismos no rúmen, que está diretamente relacionada com a capacidade do animal digerir e aproveitar o alimento – de baixa qualidade nesta época do ano – ingerido.

A suplementação de animais em pastejo permite aumentar a eficiência de conversão do pasto, aumentar a taxa de lotação, encurtar ciclos reprodutivos, melhorar o ganho de peso dos animais, corrigir dietas que estejam desequilibradas, enfim, pode aumentar a eficiência do sistema e permite produzir mais carne em menor área.

Em artigo anterior – “A SECA CHEGOU E PRECISAMOS MANTER AS VACAS NA FAZENDA… O QUE FAZER?” – abordamos alguns resultados e estratégias para a suplementação de matrizes no período seco. Neste artigo são demonstrados alguns resultados e estratégias para a recria.

O que levar em conta na definição da estratégia de suplementação da recria durante o inverno

Para definir a estratégia de suplementação da recria nas secas é preciso levar em consideração, primeiramente, qual o objetivo desta prática: como a melhora do desempenho animal para reduzir a idade de abate ou o desafio de novilhas que vão para Estação de Monta.

Idealmente o planejamento deve ser realizado com antecedência para a definição das áreas de pastagem que serão utilizadas, tipo de suplementação, estruturas disponíveis e qual a logística da operação. O levantamento prévio de dados para o planejamento nutricional é um grande diferencial na colheita dos resultados.

Além disso, é de grande valia para o sucesso da suplementação ter boa disponibilidade de pasto – ou seja, uma quantidade coerente de Matéria Seca (MS) – disponível. Falar de oferta de matéria seca (MS) de pasto pode não ser o suficiente ainda, devido à grande variação na composição desta massa, que pode ser composta por grande proporção de folhas ou de caules, podendo fazer com que exista oferta de MS de boa e má qualidade, respectivamente. O cálculo da MS  potencialmente digestível se dá pela seguinte equação:

MS potencialmente digestível = 0.98 x (100 – FDN) + (FDN – FDNi)

Em que: FDN = fibra em detergente neutro e FDNi = fibra em detergente indigestível.

Visando entender o impacto de diferentes programas de suplementação de bovinos de corte em pastejo, está sendo conduzido no Centro de Pesquisa Nutripura, um experimento em que diferentes esquemas de suplementação estão em teste, sendo o DDG alta fibra (FS Ouro®) a base da composição destes suplementos. Os animais que foram suplementados com 1% do Peso Vivo (PV) alcançaram um ganho médio diário de 0,554 kg, resultado 13,85 vezes maior do que os animais que receberam sal mineral + ureia.

Outra importante ferramenta utilizada para validar o sucesso de um programa de suplementação, o escore de fezes, também está sendo avaliado. Através desta avaliação – do escore fecal dos animais de cada um dos tratamentos testados – pode-se inferir o impacto de cada tipo de suplementação testada sobre o desempenho dos mesmos. Ao final desse experimento, os animais foram enviados para confinamento onde serão terminados. Assim avaliaremos o impacto do uso de diferentes suplementos da recria ao abate. Confira nas fotos o escore de fezes:

Foto 1: Fezes de animais recebendo 1% do peso corporal em DDG alta fibra + Impacto à parte:

Foto 2: Fezes de animais recebendo suplemento ureado (consumo de 0.05% do peso corporal):

Foto 2: Fezes de animais recebendo suplemento ureado (consumo de 0.05% do peso corporal):

Como escolher o nível de suplementação levando em conta o desembolso

Existem diversas tecnologias e opções disponíveis quando falamos em suplementação do rebanho. Assim como a composição, o preço varia de produto para produto e gera dúvida na hora da escolha. Mas o que torna uma tecnologia cara ou barata não é o preço em si, mas sim seu custo-benefício.

Digamos que determinado produto custe R$ 0,20 por animal por dia, porém ela não traz retorno considerável, o que a torna cara. Agora, se determinado suplemento custa R$ 6,00 por animal por dia, porém o ganho é de 2 vezes o valor investido, o uso deste suplemento se justifica, uma vez que gera um ótimo retorno para o sistema de produção.

Para tomar esta decisão é preciso conhecer a fazenda, ter os objetivos traçados e as metas alinhadas, para assim, determinar a melhor estratégia de suplementação.

A definição do programa de suplementação utilizado em um determinando sistema de produção deve buscar sempre o máximo de rentabilidade. Em um sistema de produção, seja de cria, recria ou engorda, é muito importante que se considere o ágio pago para aquisição dos animais no caso da recria e engorda e lotação, margem, desempenho e desembolso por cabeça por mês em todas as fases de produção. São esses os fatores que definem se a fazenda será rentável ou não naquela safra.

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    Lainer Leite

    Diretor de Pesquisa – Nutripura.
    Formado em Medicina veterinária pela Universidade Federal de Goiás – UFG.
    Especialista em Nutrição de Bovinos de Corte e Pós Graduação em Produção de Bovinos de Corte.