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Blog Canivete

publicado em 27 de janeiro de 2021

SILAGEM DE RESPEITO – PLANTA INTEIRA DE MILHO

Escolha de híbridos, efeito do processamento na colheita e maturidade da planta

A silagem de planta inteira de milho, utilizada em todo o Brasil, consiste na planta picada – com o colmo, sabugo, folhas e grãos. Este tipo de silagem, segundo o Prof. Dr. Luiz Gustavo Nussio, da ESALQ/USP, em treinamento oferecido para a Nutripura e clientes sobre produção e conservação de alimentos para ruminantes, apresenta um crescimento acentuado na preferência dos produtores rurais, como aponta pesquisa de Millen et al. (2009, 2016 e 2020). Nesta pesquisa, em 2009, 25,8% dos produtores preferiam a silagem de milho em relação a outras fontes de volumosos para confinamentos, enquanto em 2016 a preferência passou para 63,6% e em 2020 chegou a 69,44%, ilustrando a abrangência da utilização deste tipo de silagem.

Além da evolução da preferência, a utilização da silagem também evoluiu. As tecnologias de nutrição de ruminantes e as habilidades dos bons nutricionistas do Brasil permitem que dietas sejam formuladas com doses maiores de concentrado e acomodem um ambiente ruminal saudável. Evidentemente, isto só é possível devido a mudança da fonte de volumoso. A migração de algumas fontes de volumosos para a preferência da silagem de milho associa vantagens não somente do ponto de vista de formulação de dietas e desempenho animal, mas sobretudo do sistema de produção de volumoso, ou seja, toda indústria que está apoiada neste sistema, como indústria de insumos, máquinas, equipamentos e todo o conjunto do processo, faz com que as pessoas confiem mais nesta opção do que em outras.

Durante este ano de 2021 vamos divulgar uma série de artigos sobre silagem, cada um abordando um tema diferente neste amplo campo de estudo e, para iniciar, neste primeiro artigo, com base no treinamento oferecido para a Nutripura e clientes sobre produção e conservação de alimentos para ruminantes pelo Prof. Dr. Luiz Gustavo Nussio, vamos abordar a escolha de híbridos, o efeito do processamento na colheita e a maturidade da planta na colheita. O experimento utilizado aqui no artigo foi conduzido por Silveira (2019) durante seu mestrado com o Prof. Nussio.

Os híbridos utilizados:

  • Híbrido mais dentado;
  • Híbrido menos dentado;
  • Híbrido “flintado”.

Milho dentado é o tipo de milho mais macio, que o endosperma é mais farináceo ou poroso. Milho flint é o tipo mais duro, que o endosperma é vítreo.

Teores de matéria seca na colheita:

  • Planta colhida com 30% de Matéria Seca (MS);
  • Planta colhida com 40% de MS.

Quando mais %MS a planta tiver, mais seca ela é.

Tamanhos de corte de partícula:

  • Partículas de 3mm;
  • Partículas de 5mm;
  • Partículas de 7mm.

Segundo o professor, existe um tamanho de partícula que é ótimo para o silo e um tamanho de partícula ótimo para o animal, sendo que as vezes coincidem e as vezes não. Como o silo precede o animal, mesmo que o animal seja o “cliente final”, é importante garantir a qualidade do material ensilado.

“Bom material de milho para silagem é aquele que tem bastante grão, já que a presença de grãos na massa modifica a porcentagem de energia disponível. Em uma região remota que não conheço nada, mas tenho apenas a referência de que os híbridos são bons de grãos, provavelmente eles devem ser bons para silagem.”

Os resultados:

As plantas que foram colhidas com maior teor de MS (40%) em todos os híbridos apresentaram uma vitreosidade maior. Enquanto o teor de Fibra em Detergente Neutro (FDN) não apresentou muita alteração entre as diferentes maturidades, a quantidade de amido nas plantas colhidas com 40% de MS foi maior devido a maior quantidade de grãos nas plantas.

Em relação às perdas de MS no silo, as plantas colhidas com maior maturidade também levaram vantagem em relação as mais úmidas – quando olhamos os diferentes tamanhos de partículas, as perdas variaram nas plantas com 30% de MS, sendo que a maior partícula apresentou mais perdas, enquanto a amostragem mais seca apresentou uniformidade nas perdas nos três tamanhos de partícula. Ou seja, em forragens mais úmidas, vale a pena cortar mais fino, porém as forragens mais secas não apresentam diferença, além das perdas serem menores no silo.

“É importante ressaltar que quando observamos os tamanhos de partículas que foram regulados, não obteve diferença na fração de grãos, somente na planta inteira, devido a qualidade da maioria dos implementos nacionais”.

Em relação aos grãos as plantas colhidas mais úmidas apresentam grãos com melhor digestibilidade, porém em menor quantidade, enquanto as silagens mais secas tem mais grãos, porém menos digestíveis. Para auxiliar na tomada de decisão, o Prof. Nussio explica que a silagem colhida com 40% de MS apresenta maior quantidade de amido degradável, que torna este material mais interessante do que o mais úmido.

“Nós vamos ter no futuro grandes interações entre híbrido, teor de matéria seca de colheita do híbrido e a colhedora. Vamos recomendar com base no híbrido plantado o teor de matéria seca para colheita e a colhedora a ser utilizada”.

 

 

Pedro Silvestre de Lima

Vivo a pecuária desde que nasci. Já fui monitor do curso Especialização em Nutrição de Ruminantes e Pastagens da ESALQ/USP durante dois anos e meio, trabalhei com consultoria técnica, empreendedorismo, mercado e inovação na pecuária de corte. Hoje atuo no fomento e disseminação de informações úteis e relevantes, com foco no lucro sustentável para o produtor rural.