Blog Canivete

publicado em 10 de dezembro de 2020

SILAGEM DE CAPIM

SILAGEM DE CAPIM

Boas práticas na colheita podem significar a diferença entre o lucro e o prejuízo.

A silagem de gramíneas tropicais é uma opção bastante viável devido a seu alto potencial produtivo e por geralmente ser uma alternativa mais barata que o sorgo e o milho, principalmente em épocas em que o grão está em alta. O objetivo da operação é a redução de custos sem que haja prejuízo ao desempenho animal.

Apesar do potencial de produção de matéria seca (MS) do capim, a presença elevada de umidade na hora da colheita e o baixo teor de carboidratos solúveis são fatores que atrapalham o processo fermentativo adequado e podem levar a perdas de nutrientes, resultando em uma silagem de baixa qualidade.

A quantidade de massa de alimento que sai ao final do processo de ensilagem é sempre menor do que a que entra. Isso ocorre devido às perdas, as quais podem ser divididas em invisíveis e visíveis:

Perdas invisíveis são aquelas provenientes de gases gerados pelos processos bioquímicos durante a fermentação.

Perdas visíveis são aquelas físicas, de material, que ocorrem durante o processo desde a colheita até o consumo pelos animais.

E como conseguimos evitar essas perdas na silagem?

De fato, não conseguimos evitá-las, mas conseguimos reduzi-las.

Aqui, vamos focar nas perdas físicas (mais especificamente nas boas práticas de ensilagem de capim), que são aquelas que tem um impacto direto no custo da silagem.

Afinal, quais são as boas práticas nas etapas no momento da colheita e ensilagem de capim?

1) Ponto de colheita: Uma boa colheita depende da maturidade da planta e sua umidade. O ponto de colheita varia conforme o gênero da planta, mas, em geral, recomenda-se levar em consideração seu valor nutritivo, o processo fermentativo e a produção de matéria seca por hectare. A planta conforme fica mais velha, apresenta maior produção de matéria seca, ao mesmo tempo que tem menor concentração de nutrientes e menor digestibilidade, ou seja, o ideal é encontrar um ponto de equilíbrio que não prejudique o processo de fermentação e nem a qualidade nutricional da silagem.

2) Tamanho da partícula: Recomenda-se partículas de 12-20 mm. Partículas de tamanho elevado, ou “fibra longa”, podem trazer prejuízos, pois dificultam a compactação, que por consequência diminui a expulsão do oxigênio presente,  favorecendo as bactérias aeróbias, ou seja, as bactérias que consomem os carboidratos solúveis (que já não estão em elevadas taxas no capim).

3) Uso de aditivos absorventes de umidade: É outra alternativa para reduzir a umidade da silagem de capim. São basicamente coprodutos e farelos agroindustriais secos, os quais são misturados à forragem na hora de ensilar, objetivando uma matéria seca da massa ensilada de cerca de 30%. Porém, é importante tomar cuidado para a mistura destes aditivos serem uniformes, e não prejudicar o processo fermentativo.

4) Uso de aditivos microbiológicos: A inoculação de aditivos na silagem pode ter diversos objetivos, como o de prevenir o crescimento de leveduras, fungos filamentosos e micotoxinas no material ensilado, promover a fermentação eficiente, alcançar rápida diminuição do pH, maior conservação do material e maior sanidade.

5) Compactação: Quanto mais rápido e eficiente for esta etapa do processo, melhor será a qualidade final do produto. A compactação tem o objetivo de retirar o ar presente entre as partículas para reduzir rapidamente a atividade aeróbica, conseguir maiores teores de ácido lático, açúcares residuais e menor teor de nitrogênio amoniacal (indicador de degradação de proteína).

6) Vedação do silo: A recomendação nesta etapa é de lonas de polietileno com pelo menos 200 micras de espessura. A preferência de escolha é a dupla face, com um lado preto e outro branco, sendo o lado preto para dentro e o branco para fora, para refletir a radiação solar. Após estender a lona no silo, é feita a fixação, que começa pela parte anterior. A lona deve ser enterrada ou fixada com uma cobertura de terra. A partir daí são as laterais que sofrem o mesmo processo. Isso deve ser feito ao mesmo tempo e com atenção para a lona ficar em contato com a silagem, utilizando pesos como sacos de areia, pneus ou terra outro material que exerça pressão sobre a lona. O uso de filme de barreira ao oxigênio, que tem por finalidade impedir a passagem do ar para a silagem, pode reduzir em até 50% das perdas invisíveis da matéria seca, além de evitar a formação da camada preta no topo do silo.

7) Tamanho do silo: O tamanho dos silos é de acordo com o uso diário da fazenda, ou seja, o volume diário de material a ser retirado e usado. Silos menores são mais fáceis de serem feitos, porém apresentam maiores perdas, proporcionais à massa ensilada. Silos maiores demandam maiores cuidados na confecção e uso.

8) Abertura do silo: Chegou a hora de abrir o silo, mas os cuidados ainda não terminaram. O tempo mínimo que o silo deve ficar fechado depende do material ensilado e do planejamento de uso. Quando aberto, a retirada deve ser diária, e de pelo menos 30 cm de painel, correspondendo a toda face do silo. Ela deve ser retirada de cima para baixo e, após o processo, fechado para proteger do sol e da chuva.

Cada um destes pontos podem ser fatores decisivos para garantir um alimento de qualidade para o animal conseguir metabolizar com uma boa conversão, fazendo a diferença no ganho de peso e acabamento, e consequentemente, no bolso.

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    Felipe Coral Voltani

    Supervisor Técnico Comercial, Nutripura
    Engenheiro Agrônomo – ESALQ/USP
    Especialização em Produção Animal – ESALQ/USP