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publicado em 14 de dezembro de 2020

PLANO ESTRATÉGICO DE USO DA INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA – VISÃO MULTIFOCAL DO SISTEMA

PLANO ESTRATÉGICO DE USO DA INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA – VISÃO MULTIFOCAL DO SISTEMA

O principal objetivo de implantação e uso de sistemas integrados de produção agropecuária é a maior produtividade por hectare, conjugando a produção agrícola e pecuária na mesma área. Neste artigo daremos início a uma mais intensa exploração do binômio produtivo – INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA.

Porém os benefícios dos sistemas integrados vão além da maior produção por unidade de área. Temos uma série de ganhos diretos e indiretos no sistema, os quais tentaremos listar e justificar o uso de tais sistemas tanto em benefício da pecuária quanto em benefício da agricultura, estabelecendo aqui um jogo de GANHA-GANHA entre as duas atividades.

O sistema de produção de pecuária de corte tem se reinventado. A área de pastagem em território nacional recua ao mesmo tempo em que a produtividade aumenta, ou seja, produzimos mais carne com menos área. O principal benefício deste tipo de sistema de produção é justamente a maior produtividade por hectare, além do retorno econômico final, que é maior do que quando somados os ganhos da pecuária e da agricultura, em comparação a qualquer uma destas atividades em separado.

Além disso, os ganhos secundários diretos e indiretos também são muitos para a agropecuária. Dentre os mais importantes, temos:

  • Rotação de culturas: quebra do ciclo de pragas e plantas daninhas estabelecidas ou não na área;
  • Melhora da estrutura do solo: aprofundamento do sistema radicular da planta forrageira, que age como um descompactador de solo e abre caminho para o aprofundamento de raízes das lavouras subsequentes;
  • Cobertura vegetal: proporcionada pela massa residual da planta forrageira, serve como proteção física da superfície do solo, diminui a erosão laminar e atenua a temperatura superficial do solo;
  • Maior período de ocupação da área: diminuição do período de pousio do solo, sem um uso econômico ou produtivo;
  • Ciclagem de nutrientes: maior exploração do perfil de solo pelo sistema radicular da planta forrageira;
  • Valorização do bem imóvel: capacidade de justificar o investimento na área em fertilidade, aquisição de novas áreas e investimento em infraestruturas;
  • Diversificação de renda: vários produtos sendo produzidos e comercializados dentro da mesma unidade produtora.

Apenas o agricultor mais tecnificado ou apenas o pecuarista acostumado com a lida?

A resposta dessa pergunta é a mais corriqueira possível: DEPENDE!!!

Antes que a ansiedade nos sufoque, vamos explanar a respeito desta resposta.

Teoricamente qualquer fazenda pode se estruturar para fazer uso do sistema de produção integrado entre agricultura e pecuária, o que vamos tentar deixar claro por meio de exemplos:

A propriedade A, destinada exclusivamente a atividade pecuária, tem a frente um tradicional pecuarista da região, que por muitos anos vem tocando a fazenda de forma comum a tantos outros. Ele é um recriador e terminador de animais a pasto, usa de alguma suplementação estratégica ao longo do ano, tem muita experiência na compra e venda de animais, manejo e manutenção de pastagens, sabe trabalhar com a carga animal ao longo do ano para não degradar suas pastagens e por isso sua fazenda é produtiva desde que foi aberta a anos atrás. É uma propriedade de tamanho médio, com solos de textura boa, teor de argila médio para alto, boa de água, topografia ondulada e pastos bem divididos. Não existe na fazenda maquinário exigido para a atividade agrícola.

Este é um cenário hipotético mas comumente encontrado nas fazendas de pecuária.

Então, é possível entrar com ILP em uma fazenda com essas características? A reposta é: DEPENDE!!!

Se o pecuarista tiver a capacidade de enxergar os benefícios que a agricultura trará para sua fazenda, ele pode seguir por dois caminhos, um é se estruturar com maquinários, uma boa assessoria agrícola e o outro é buscar parceiros agricultores que se interessem em arrendar áreas para plantio, começando assim a implantar módulos de produção dentro da fazenda, fazendo rotação de uso das áreas, definindo BLOCOS de produção e com o passar dos anos ele conseguirá colocar a agricultura em praticamente todas as áreas de pastos da fazenda.

Para isso é fundamental que seja feito o planejamento de uso das áreas, com o desenho da curva de lotação anual e da capacidade de suporte das áreas de pastagens definitivas e das áreas de capim safrinha. A busca por parceiros e consultorias responsáveis é de extrema importância para o sucesso do sistema.

Vamos olhar agora pelo lado do agricultor:

A fazenda B, tipicamente uma fazenda de agricultura, com tamanho médio para os padrões regionais. Produtora de grãos muito eficiente, sendo que tem um parque de máquinas bem dimensionado para o tamanho da propriedade, já trabalha com sucesso em produzir grãos na primeira e segunda safras. O proprietário não trabalhou com pecuária na história recente da fazenda e a fazenda não conta com estrutura de cercas, bebedouros e reservatório de água, curral de manejo e demais itens inerentes à produção pecuária. Os solos da fazenda são de textura média, a região tem um regime hídrico favorável para atender duas safras, a topografia é muito boa e os talhões grandes em geral.

Cenário típico de uma propriedade agrícola. A ILP poderia ser implantada com sucesso nesta propriedade? DEPENDE!!!

O sucesso do sistema de produção integrada, olhando da ótica do agricultor, vai depender da forma como ele enxerga a pecuária. É razoável e compreensível que ele não tenha poucas habilidades a respeito da pecuária, desde a forma como manejar os animais e desenhar os sistemas de trabalho até a comercialização dos animais e dimensionamento de estruturas como cercas e bebedouros. Para o agricultor a assessoria sobre os assuntos pecuários fazem-se mais importantes que a consultoria agrícola que ele recebe. Como ele terá muito pasto de qualidade em determinada época do ano, é fundamental que o sistema dele seja planejado para absorver os animais pós-pasto safrinha, seja em sistemas de terminação ou continuação da recria em pastos de verão.

Em ambos os casos o benefício da implantação de um sistema de produção integrado será visível já no primeiro ano de uso.

Esquematização de implantação de um sistema integrado com rotação de culturas e evolução de uso das áreas com as atividades distintas.

Esquematização de implantação de um sistema integrado com rotação de culturas e evolução de uso das áreas com as atividades distintas.

Para o pecuarista, a melhora contínua dos pastos com aumento na capacidade de suporte da fazenda e para o agricultor a alavancagem da produção agrícola global da fazenda vão começar a ocorrer no primeiro ano de trabalho.

Além destes dois cenários hipotéticos mostrados, são inúmeros os perfis de produtores e a variabilidade na capacidade de uso da terra que encontramos no campo. Fazendas de pecuária mal administradas e degradadas, fazendas de agricultura com solos muito fracos e baixa eficiência produtiva, mal dimensionamento de maquinário, manejo animal errado, dimensionamento de estruturas inadequado, etc. Todos capazes de se beneficiar do sistema de produção integrado. Além é claro de propriedades que já desfrutam de uma excelência produtiva e que podem incrementar os ganhos econômicos no campo.

O primeiro artigo desta série vem trazer a ideia que busca desmistificar qualquer preconceito a respeito da implantação de sistemas de produção agrícolas e pecuários juntos, sendo possível o benefício mútuo das atividades para o proprietário da terra. A receita de bolo para o sucesso é a busca contínua de informações e consultoria especializada neste tipo de sistema de produção.

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    Felipe Coral Voltani

    Supervisor Técnico Comercial da Nutripura
    Engenheiro Agrônomo – ESALQ/USP
    Especialização em Produção Animal – ESALQ/USP