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publicado em 14 de dezembro de 2020

PASTO QUE DÁ LUCRO: TELEMETRIA

PASTO QUE DÁ LUCRO: TELEMETRIA

Conhecendo o custo x benefício para aplicação em pastagens.

O sistema de produção de pecuária de corte que nossos avós conheciam já quase não existe mais. A mudança acontece, e ela é rápida. Em 1990 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimava que existiam cerca de 192 milhões de hectares de pasto no Brasil, e cerca de 147 milhões de cabeças, resultando em meros 0,77 animais por hectare. No ano de 2000 essa relação era de 0,91 cabeças/ha, em 2010 1,17 e em 2018 1,31. De 1990 a 2018 o rebanho bovino no Brasil cresceu 45,15% enquanto a área de pasto foi 15,10% menor, mas ainda temos potencial pra muito mais.

Detalhe que de 1990 até 2007 a área de pastagem no Brasil reduzia em média 473.000 hectares, enquanto que de 2008 até 2018 a média foi de cerca de 1.700.000 hectares, 3,55 vezes mais.

Em síntese, temos muito para melhorar, mesmo fazendo cada vez mais com menos, e mais rápido. Repare como a área de pastagem no Brasil sofre uma redução mais brusca a partir de 2007:

Fonte: Agroconsult, Athenagro, Agrosatélite, IBGE, Inpe/Terraclass, Lapig, Prodes, Rally da Pecuária, MapBiomas. Elaborado pelo autor.

E o rebanho brasileiro continua aumentando:

Este aumento de produtividade se deve a fatores como a intensificação da operação, melhor uso da terra, desenvolvimento e melhoramento genético tanto de plantas como de animais, melhor gestão do negócio, uso consciente da terra, planejamento, adubação e correção do solo, entre outros. E o fator comum entre todos os citados é a tecnologia, que está presente de diferentes maneiras em cada área da operação. A tecnologia de enfoque deste artigo é a telemetria.

Mas o que é telemetria? Qual sua aplicação na pecuária?

Em seu sentido mais literal, telemetria é o processo ou técnica de obtenção, processamento e transmissão de dados a longa distância. Esta tecnologia de precisão permite ao produtor rural verificar todos os parâmetros da aplicação, seja ela de adubação, herbicida, inseticida ou até no plantio da forrageira, diariamente. São gerados diversos dados, cada um com sua devida importância:

  • Horário de aplicação: A qualidade e efetividade da aplicação são diretamente afetadas pelo horário da aplicação do herbicida ou do adubo foliar. A recomendação é evitar aplicações após as 10:00 e antes das 15:00. Buscar fazer as aplicações em horários com temperaturas mais amenas, na parte da manhã (5:00 – 10:00) e na parte da tarde (a partir das 15:00). Dependendo do dia, se atender as condições climáticas necessárias (normalmente dias nublados), a aplicação pode ser feita durante todo o dia.

  • Sobreposição: Evitar a sobreposição também evita perdas operacionais e fitotoxicidade (reação tóxica que um herbicida provoca nas plantas prejudicando seu crescimento).

  • Eficiência operacional: A recomendação aqui é sempre melhorar a porcentagem de operação em relação a porcentagem de paradas. Para isso é de grande importância realizar corretamente as manutenções necessárias na máquina.

  • Velocidade de aplicação: Deve estar sempre de acordo com a regulagem do pulverizador para conseguir alcançar a vazão correta e a dose indicada.

As condições climáticas também devem ser observadas, já que a aplicação deve ser feita em condições favoráveis à absorção e translocação dos produtos.

  • Temperatura: Abaixo de 31ºC e acima de 10ºC;
  • Umidade: Acima de 60%, ideal entre 70 a 90%;
  • Velocidade do vento: Acima de 2 km/h e abaixo de 12 km/h;
  • Chuva: Uma hora antes ou uma hora depois.

Com estes dados em mãos, o responsável pela operação tem tempo hábil para tomar decisões rápidas e corrigir possíveis erros operacionais. Com uma maior eficiência nas aplicações, conseguimos atingir sempre um melhor custo x benefício.

Para entender como é feito este processo, apresentaremos a seguir o passo a passo da aplicação de herbicida da safra 19/20, respeitando as informações confidenciais.

Demonstração de um caso de aplicação bem-sucedido utilizando a telemetria:

A aplicação feita com um uniport da Jacto (2000L Nº 9) teve início em 06/12/2019 e terminou em 09/01/2020 (duração: 28 dias), em 1.403,27 ha (28 pastos). Foram aplicados em 61 hectares por dia.

  • Vazão indicada: 150L/ha;
  • Velocidade de trabalho: 13 km/h;
  • Rendimento por abastecimento: 13,33 ha;
  • Faixa de aplicação: 21,35 m;
  • Bicos: leque ADIA 02 com indução de ar com 4 reduções;
  • Quantidade de bicos: 61;
  • Espaçamento entre bicos: 35 cm.

Também foi realizada aplicação tratorizada (foram utilizados 2 tratores) em 1250 hectares (5 pastos). A aplicação durou 42 dias (27,76 ha/dia), com a vazão de 200 L/ha e o rendimento por abastecimento de calda de 10 hectares.

As aplicações foram acompanhadas diariamente por meio de relatórios encaminhados pelo operador, contendo o mapa da área aplicada, quantos hectares por pasto foram aplicados, acompanhamento da velocidade e vazão média por pasto e o acompanhamento da dosagem por pasto. Além dos dados gerados por telemetria, também acompanhamos e realizamos a avaliação de pH da calda; avaliação de molhamento da planta daninha alvo e o acompanhamento de condição climática (velocidade do vento, temperatura e UR). As doses e os produtos utilizados são confidenciais. A seguir, os resultados da operação:

Confira o antes e depois da aplicação utilizando telemetria:

Antes

Depois

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