Blog Canivete

publicado em 3 de agosto de 2021

PASTAGEM DE QUALIDADE: COMO PRODUZIR PARA TER BONS RESULTADOS

Uma das principais metas da pecuária de corte é produzir alimento de qualidade para o rebanho que, ao mesmo tempo, apresente baixo custo. Nesse sentido, a produção em pastagem representa uma excelente opção para produtores de todas as regiões do país.

No entanto, o clima tropical caracterizado por duas estações geralmente bem definidas – verão chuvoso e inverno seco – que de um lado permite a produção abundante de massa verde durante as águas, porém no período seco a produção e qualidade do alimento volumoso fica prejudicada, ainda se somada a falta de manejo adequado e mal uso das áreas.

Desta forma, inovações tecnológicas como produção de silagem, feno, forrageiras de inverno, capineiras  e ferramentas de manejo como o diferimento de pasto e a roçada ao final das secas são alternativas para obter a eficiência no desenvolvimento e ganho de peso dos animais.

Em meio aos desafios apresentados, muitas técnicas são utilizadas para manter o suprimento de forragem de boa qualidade, além de contribuírem para a recuperação de áreas degradadas. Vamos saber como funcionam, na prática?

Pastagem

Reconhecimento do solo

Para engordar o boi é necessário entender sua demanda por alimento e como ele responde a determinada dieta. Com o pasto não é diferente, sem entender o que ele demanda, dificilmente terá um desenvolvimento saudável.

Para expressarem seu potencial produtivo as plantas precisam, necessariamente, que os nutrientes estejam disponíveis em quantidade e em equilíbrio no solo.

O processo de entender quais nutrientes estão disponíveis no solo começa com uma amostragem bem feita. A amostragem tem por objetivo caracterizar a fertilidade de um talhão ou área, de grande dimensão, por meio de uma pequena fração de solo.

E foi pensando nisso que desenvolvemos este guia de amostragem de solo para análise laboratorial para recomendação de correção e adubação em pastagens.

Entender o grau de degradação do pasto

A degradação das pastagens é um dos maiores entraves da pecuária brasileira. No entanto, com a aplicação de tecnologias de manejo é possível modificar a condição dessas áreas e elevar os resultados nutricionais do rebanho.

A degradação das pastagens pode ocorrer por diversos motivos, como o uso inapropriado do solo, uso de forrageiras inadequadas para a área, falta de medidas conservacionistas, superpastejo e a não reposição de nutrientes no sistema. Quando estes elementos ocorrem na operação, o barato sai caro. Mas e aí, devo reformar ou recuperar o pasto degradado?

A maior diferença entre recuperar e reformar o pasto é a necessidade do sistema. A escolha pela reforma ou recuperação do pasto depende do grau de degradação e da população de forrageira que ainda existe no local, já que existem áreas degradadas em que as invasoras já tomaram conta, e quase não existe mais pasto.

Em áreas que ainda existe uma população razoável de plantas desejadas, deve-se analisar a recuperação. Para determinar o grau de degradação, segundo Sttodart et. al. (1975), alguns estágios de degradação podem ser facilmente identificados e são característicos da maioria das pastagens degradadas, sendo eles: distúrbio fisiológico da espécie dominante; mudança na composição botânica; e invasão por novas espécies.

Quando a área se encontra em um estágio mais avançado de degradação, pode-se ocorrer o desaparecimento da espécie dominante e, posteriormente, o desaparecimento das invasoras, comprometendo as condições de estabilidade do solo. Basicamente, existem dois parâmetros principais para avaliar o estágio de degradação do solo: diminuição de produção e mudança na composição botânica.

Estratégias de fertilização e manejo

Uma das técnicas disponíveis no mercado é orientada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Trata-se do Manejo Intensivo de Pastagens (MIP) que reúne procedimentos combinados para aumentar a produtividade, por intermédio de adubação, irrigação e pastejo rotacionado.

Essa tecnologia é composta por fases que incluem inicialmente a recomposição do solo por meio de correção e adubação. Em seguida, o espaço escolhido pelo produtor é dividido em piquetes de forma a possibilitar o controle do tempo de alimentação ideal para o grupo de bovinos.

Desta forma, o próximo passo a ser realizado é a adubação do solo, a fim de aumentar a produção da forragem e a taxa de lotação animal. Em relação a esse manejo é válido destacar que a quantidade de fertilizantes utilizados está diretamente ligada a fertilidade do solo, exigências da forragem escolhida e a área a ser preparada para pastagem.

Modelos de pastejo para bovinos

Antes de detalhar os métodos de pastejo é preciso ajustar a taxa de lotação, já que esse ordenamento afeta diretamente a produção de animais por área. Utilizando a Unidade Animal por Hectare (UA/ha) (1 UA = 450 kg), é possível calcular a quantidade de bovinos que utilizará a forragem plantada em um espaço cercado (piquete).

Quando a lotação é calculada de maneira errada, o desempenho dos animais pode ser prejudicado. Por esse motivo, o cálculo de animais por piquete deve ser o mais preciso possível, de forma a evitar duas situações verificadas quando o manejo é feito sem as recomendações técnicas.

A primeira é chamada de superpastejo e acontece quando se coloca um número de bovinos maior do que a capacidade de suporte da pastagem. As consequências diretas são a degradação do solo e a redução da vida útil da pastagem.

Em contrapartida há o cenário de subpastejo, no qual são colocados quantidade de animais menor do que o limite suportado na área. Nessa condição, deixa-se de aproveitar o recurso forrageiro disponível e para o qual foram investidos tempo e recursos financeiros. Além disso, o pasto acaba crescendo mais, formando mais talo , o que dificulta a ingestão do alimento pelo animal.

Pecuaria

Agora que você compreendeu a importância de definir a quantidade de animais que será colocada nos piquetes, vamos conhecer as opções de pastejo:

Pastejo contínuo: é utilizado para criações extensivas já que as áreas de pasto são maiores. Nessa situação, as taxas de lotação são mais baixas e é possível que as forrageiras sejam de porte alto (Andropogon, Tanzânia e Mombaça, por exemplo). O ponto negativo é verificado por pastagens irregulares e formação de touceiras e material seco, quando mal manejadas.

Pastejo rotacionado: as pastagens são divididas em piquetes e os animais movimentados a fim de alternar períodos de ocupação e descanso. O método permite o controle da quantidade e qualidade de forragem disponível, assim como mantém a uniformidade do pastejo, diminuindo perdas. Outro ponto é que auxilia no controle de invasoras, já que o sistema proporciona melhores condições de desenvolvimento.

A implantação do modelo garante taxas de lotação mais altas e maior uniformidade do pasto, mas, exige maior investimento em cercas e bebedouros, além de demandar maior controle gerencial do sistema produtivo.

Pastejo diferido: consiste em escolher áreas determinadas da propriedade e separá-las (vedação) do pastejo, a fim de garantir uma reserva de pastagem no período de escassez. Contudo, para que o método seja efetivo é necessário que seja realizado um planejamento de plantio escalonado da forragem, observando o início e final da estação seca.

Manutenção da pastagem: Porque é importante considerar?

Depois de conhecer as alternativas de pastejo na atividade pecuária é necessário destacar que o sucesso na implantação das tecnologias dependerá dos cuidados e manutenção da área. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte apontam que uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução na fertilidade do solo.

Fatores como erosão, lixiviação (lavagem da camada superficial do solo por águas pluviais), volatilização (perda de nitrogênio), fixação e acúmulo de materiais mortos em pastagens são responsáveis por mais de 40% do total de nutrientes.

Em outras palavras, o produtor deve estar ciente sobre a importância da recuperação do solo já que esse manejo é responsável pela manutenção da produção e qualidade de forragem. Uma técnica consiste em introduzir uma nova espécie, em substituição a que apresenta degradação ou por meio da Integração Lavoura Pecuária (ILP), focada no consorciamento de grãos e cereais com a forrageira.

Dentre os benefícios da ILP, podemos citar:

  • o aprofundamento do sistema radicular da planta forrageira, que age como um descompactador de solo, melhorando sua estrutura e maior exploração do perfil do solo permitindo uma maior ciclagem de nutrientes, além de abrir caminho para as raízes das lavouras subsequentes;
  • a cobertura vegetal, que é proporcionada pela massa residual da planta forrageira e serve como proteção física da superfície do solo e por consequência diminui a erosão laminar e atenua a temperatura superficial do solo;
  • devido ao maior período de ocupação da área, o período de pousio (tempo sem uso produtivo ou econômico) do solo é menor;
  • a quebra do ciclo de pragas e plantas daninhas na área por meio da rotação de culturas;
  • valorização do bem imóvel com a capacidade de justificar o investimento na área em fertilidade, aquisição de novas áreas e investimento em infraestruturas;
  • e a diversificação da renda, pelo fato de vários produtos serem produzidos e comercializados dentro da mesma área.

As tecnologias de manejo em pastagens contribuem para otimizar a produção de alimento com alto valor nutricional, reduzir a degradação do pasto e solo e proporcionar alternativas que se adequam a diferentes realidades de negócios pecuários.

Mantenha-se atualizado! Cadastre seu contato aqui, vamos te informar sempre que sair um novo conteúdo, em primeira mão!

    Pedro Silvestre de Lima

    Vivo a pecuária desde que nasci. Já fui monitor do curso Especialização em Nutrição de Ruminantes e Pastagens da ESALQ/USP durante dois anos e meio, trabalhei com consultoria técnica, empreendedorismo, mercado e inovação na pecuária de corte. Hoje atuo no fomento e disseminação de informações úteis e relevantes, com foco no lucro sustentável para o produtor rural.