A seca é um problema que afeta o cotidiano de produtores rurais e agropecuaristas, em todas as regiões do país, independentemente do tamanho de suas propriedades.
As pastagens, atingidas diretamente pela mudança climática, perdem muito de seus nutrientes, tanto em quantidade quanto em qualidade. Como consequência, o desempenho dos rebanhos pode ficar comprometido e ocasionar prejuízos à atividade pecuária.
Durante a época chuvosa, as pastagens oferecem mais facilmente boas condições de nutrição aos animais que são habituados a dieta de pasto e, dentro deste contexto, apenas a reposição mineral se faz necessária para um ganho moderado (outros tipos de suplementação podem ser utilizados para ganhos mais elevados).
Por outro lado, durante a seca, os níveis de energia, proteína e vitaminas sofrem redução, surgindo então a necessidade de realizar uma suplementação nutricional, de modo a suprir as deficiências quantitativas e qualitativas da forragem.
As melhores práticas de alimentação de bovinos começam com um bom planejamento
Diante disso, surgem muitos desafios e questionamentos: como podemos compensar a perda de nutrientes do pasto, especialmente da proteína? Quais as consequências de não se traçar uma estratégia eficiente de reposição nutricional? Qual a melhor forma de suplementação, em termos de custo-benefício?
Diante dessas dúvidas e questionamentos, te convidamos a entender mais sobre a importância da suplementação do gado na época seca, fazendo com que ele não sofra na época mais desafiadora do ano.
Índice
Como compensar a perda de nutrientes do pasto?
Primeiramente, é importante que você entenda o que acontece com o solo e as pastagens na época das secas: o principal componente cuja diminuição afeta o crescimento e o vigor do capim é a proteína. Com essa redução, os teores de nitrogênio tornam-se insuficientes para manter o adequado padrão de digestibilidade e consumo da forragem, principalmente pela queda da população de bactérias presentes no rúmen (a produção de proteína é de origem microbiana).
Um estudo realizado em 2001 por Bandyk e colaboradores, apontou que, em condições de pastagens tropicais, durante o período de secas, ocorre uma deficiência de proteína degradável no rúmen (PDR) e também de proteína não degradável no rúmen (PNDR). Porém, para a obtenção da máxima degradação da forragem no rúmen, as concentrações de PDR devem ser consideradas primariamente na suplementação proteica. (Bandyk et al., 2001).
Como resultado desse cenário de deficiências nutricionais/proteicas, de acordo com o pesquisador Maykel Sales, da Embrapa Acre, podemos mencionar uma série de consequências negativas para o rebanho. Por exemplo, perda de peso, queda de produtividade e também de taxa de fertilidade. Além disso, aumenta-se a predisposição desses animais para desenvolver doenças que podem interferir ainda mais na produção.
Estratégias para reposição nutricional
A melhor forma de suplementação pode variar de acordo com o objetivo de cada atividade agropecuária e também com o tamanho do rebanho. A suplementação de animais em pastejo permite aumentar a eficiência de conversão do pasto, aumentar a taxa de lotação, encurtar ciclos reprodutivos, melhorar o ganho de peso dos animais, corrigir dietas que estejam desequilibradas, enfim, pode aumentar a eficiência do sistema e permite produzir mais carne em menor área.
Silagem e sais proteinados: excelentes opções para alimentar o gado na seca
Silagem: todas as qualidades nutricionais da forragem são mantidas
O processo de silagem é mais indicado para sistemas que estejam um pouco mais intensificados, pois seu valor nutritivo é bem superior ao da forragem verde. Essa técnica envolve muita mão-de-obra e mecanização da terra para o cultivo da lavoura.
Durante a silagem, a planta inteira (geralmente o milho) é triturada, e há o armazenamento de forragem para uso nos meses de seca. O investimento é compensado justamente ao obter-se alimento de altíssima qualidade para o gado, resultando em maior produtividade dos rebanhos.
Você deve estar se perguntando agora sobre os cuidados necessários com o armazenamento dessa forragem especial e adequada para o período da seca. Em relação à preservação do material ensilado, atualmente é indicada a utilização de filme plástico para impedir a entrada de oxigênio. Em conjunto com a lona de vedação da silagem, o filme plástico ajuda a reduzir as perdas por encolhimento e previne o crescimento de mofos no topo e lados do silo, garantindo assim a biossegurança da massa armazenada.
Para entender mais sobre silagem, temos diversos artigos em nosso blog.
Sais proteinados: úteis no processo de engorda
Os sais proteinados, por sua vez, são especialmente úteis no processo de engorda do gado. Dependendo da quantidade fornecida, podem tanto manter o peso dos animais quanto aumentá-lo, já que são compostos por fontes de energia, como o milho e o sorgo, além de fontes de proteína, como a ureia e os farelos vegetais (soja, algodão, trigo).
Esse tipo de suplemento concentrado, se fornecido em quantidades estrategicamente planejadas, compensa o investimento, exatamente por apresentar grande eficiência no aumento de peso dos rebanhos.
Conclusão
Em meio a todas essas possibilidades, temos então o desafio de escolher a opção mais adequada de suplementação do gado na época da seca. Porém, a solução dessa tarefa requer bom planejamento, em que sejam analisados vários aspectos, dentre eles: seu objetivo, condições climáticas e de solo das suas propriedades, situação das suas pastagens e necessidade nutricional do seu rebanho.
E então, qual dessas alternativas de suplementação você considera melhor para sua pastagem e seu gado?