Blog Canivete

publicado em 14 de junho de 2021

NUTRIÇÃO ANIMAL: COMO UTILIZAR A SUPLEMENTAÇÃO PARA ENGORDAR O GADO NA SECA

A seca é um problema que afeta o cotidiano de produtores rurais e agropecuaristas, em todas as regiões do país, independentemente do tamanho de suas propriedades, consistindo em um grande desafio para a nutrição animal.

As pastagens, atingidas diretamente pela mudança climática, perdem muito de seus nutrientes, tanto em quantidade quanto em qualidade. Como consequência, o desempenho dos rebanhos pode ficar comprometido e ocasionar prejuízos à atividade pecuária.

Durante a época chuvosa, as pastagens oferecem mais facilmente boas condições de nutrição aos animais que são habituados a dieta de pasto e, dentro deste contexto, apenas a reposição mineral se faz necessária para um ganho moderado (outros tipos de suplementação podem ser utilizados para ganhos mais elevados).

Por outro lado, durante a seca, os níveis de energia, proteína e vitaminas sofrem redução, surgindo então a necessidade de realizar uma suplementação nutricional, de modo a suprir as deficiências quantitativas e qualitativas da forragem.

As melhores práticas de suplementação animal começam com um bom planejamento

Diante disso, surgem muitos desafios e questionamentos: como podemos compensar a perda de nutrientes do pasto, especialmente da proteína? Quais as consequências de não se traçar uma estratégia eficiente de reposição nutricional? Qual a melhor forma de suplementação, em termos de custo-benefício?

Diante dessas dúvidas e questionamentos, te convidamos a entender mais sobre a importância da suplementação do gado na época seca, fazendo com que ele não sofra na época mais desafiadora do ano.

 

Como compensar a perda de nutrientes do pasto?

Primeiramente, é importante que você entenda o que acontece com o solo e as pastagens na época das secas: o principal componente cuja diminuição afeta o crescimento e o vigor do capim é a proteína. Com essa redução, os teores de nitrogênio tornam-se insuficientes para manter o adequado padrão de digestibilidade e consumo da forragem, principalmente pela queda da população de bactérias presentes no rúmen (a produção de proteína é de origem microbiana).

Um estudo realizado em 2001 por Bandyk e colaboradores, apontou que, em condições de pastagens tropicais, durante o período de secas, ocorre uma deficiência de proteína degradável no rúmen (PDR) e também de proteína não degradável no rúmen (PNDR). Porém, para a obtenção da máxima degradação da forragem no rúmen, as concentrações de PDR devem ser consideradas primariamente na suplementação proteica. (Bandyk et al., 2001).

Como resultado desse cenário de deficiências nutricionais/proteicas, de acordo com o pesquisador Maykel Sales, da Embrapa Acre, podemos mencionar uma série de consequências negativas para o rebanho. Por exemplo, perda de peso, queda de produtividade e também de taxa de fertilidade. Além disso, aumenta-se a predisposição desses animais para desenvolver doenças que podem interferir ainda mais na produção.

Estratégias para reposição nutricional

A melhor forma de suplementação pode variar de acordo com o objetivo de cada atividade agropecuária e também com o tamanho do rebanho. A suplementação de animais em pastejo permite aumentar a eficiência de conversão do pasto, aumentar a taxa de lotação, encurtar ciclos reprodutivos, melhorar o ganho de peso dos animais, corrigir dietas que estejam desequilibradas, enfim, pode aumentar a eficiência do sistema e permite produzir mais carne em menor área.

Silagem e sais proteinados: excelentes opções suplementação para o gado na seca

Silagem: todas as qualidades nutricionais da forragem são mantidas

O processo de silagem é mais indicado para sistemas que estejam um pouco mais intensificados, pois seu valor nutritivo é bem superior ao da forragem verde. Essa técnica envolve muita mão-de-obra e mecanização da terra para o cultivo da lavoura.

Durante a silagem, a planta inteira (geralmente o milho) é triturada, e há o armazenamento de forragem para uso nos meses de seca. O investimento é compensado justamente ao obter-se alimento de altíssima qualidade para o gado, resultando em maior produtividade dos rebanhos.

Você deve estar se perguntando agora sobre os cuidados necessários com o armazenamento dessa forragem especial e adequada para o período da seca. Em relação à preservação do material ensilado, atualmente é indicada a utilização de filme plástico para impedir a entrada de oxigênio. Em conjunto com a lona de vedação da silagem, o filme plástico ajuda a reduzir as perdas por encolhimento e previne o crescimento de mofos no topo e lados do silo, garantindo assim a biossegurança da massa armazenada.

Para entender mais sobre silagem, temos diversos artigos em nosso blog.

 

Sais proteinados: úteis no processo de engorda

Os sais proteinados, por sua vez, são especialmente úteis no processo de engorda do gado. Dependendo da quantidade fornecida, podem tanto manter o peso dos animais quanto aumentá-lo, já que são compostos por fontes de energia, como o milho e o sorgo, além de fontes de proteína, como a ureia e os farelos vegetais (soja, algodão, trigo).

Esse tipo de suplemento concentrado, se fornecido em quantidades estrategicamente planejadas, compensa o investimento, exatamente por apresentar grande eficiência no aumento de peso dos rebanhos.

Conclusão

Em meio a todas essas possibilidades, temos então o desafio de escolher a opção mais adequada de nutrição animal na época da seca. Porém, a solução dessa tarefa requer bom planejamento, em que sejam analisados vários aspectos, dentre eles: seu objetivo, condições climáticas e de solo das suas propriedades, situação das suas pastagens e necessidade nutricional do seu rebanho.

E então, qual dessas alternativas de suplementação você considera melhor para sua pastagem e seu gado?

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