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publicado em 6 de julho de 2021

NUTRIÇÃO ANIMAL: COMO MANTER OS ANIMAIS NA FAZENDA DURANTE O PERÍODO DE ESTIAGEM?

NUTRIÇÃO ANIMAL: COMO MANTER OS ANIMAIS NA FAZENDA DURANTE O PERÍODO DE ESTIAGEM?

Um dos grandes desafios enfrentados pelos pecuaristas é conseguir manter uma boa nutrição animal, mesmo nos períodos de seca que apresentam pastagens menos vigorosas. Por se tratar de um período crítico em relação à nutrição animal, a época de estiagem requer bastante atenção por parte do produtor.

Naturalmente, no período seco as pastagens tropicais apresentam queda na produção e em sua composição nutricional. Isso ocorre devido ao menor volume de chuvas e de incidência de luz, além de temperaturas mais baixas.

Diante dessa dificuldade, os animais não conseguem absorver toda a demanda de nutrientes necessária para manter uma boa taxa de crescimento e produção (ganho de peso).

Esse é um problema que impacta a fazenda em muitos aspectos produtivos, como o atraso na idade de abate, da primeira cria e queda do desempenho corporal dos animais.

Acontece que muitos pecuaristas não dão a devida atenção a essa fase. O resultado são grandes prejuízos financeiros devido à perda de qualidade do rebanho.

Se você também sofre com esse período, chegou a hora de mudar suas estratégias e repensar ações que amenizem as limitações produtivas da pecuária nessa época do ano e que proporcionem resultados satisfatórios.

Por que é importante pensar na suplementação animal na seca?

Pensar a suplementação animal nos períodos mais secos do ano não pode ser visto apenas como uma opção de complementar a alimentação dos bovinos, afinal esse cuidado é também uma obrigação para manter a qualidade do rebanho e a saúde financeira da fazenda.

Pensar a suplementação animal nos períodos mais secos do ano não pode ser visto apenas como uma opção de complementar a alimentação dos bovinos, afinal esse cuidado é também uma obrigação para manter a qualidade do rebanho e a saúde financeira da fazenda.

A falta de estratégias nesse período pode fazer com que o produtor tenha que vender animais por falta de pasto, com o objetivo de “aliviar” a propriedade. Também é comum que os produtores diminuam a oferta de alimento aos animais e optem por esperar a época das chuvas para que então o animal volte a ganhar peso.

Nesse cenário é fácil encontrar animais perdendo peso rapidamente e com baixíssimo desempenho. O problema é que o produtor pensa que essa situação é normal, decorrente apenas das condições climáticas. Mas esse pensamento deve ser esquecido por pecuaristas que pensam na alta produtividade.

É preciso que o pecuarista tenha em mente que apenas o uso do sal mineral não permite que o animal recupere o seu desempenho e sua demanda nutricional. Ele deve considerar que o pasto, mesmo que seco, apresenta papel fundamental no desempenho dos animais.

Como fazer o planejamento da nutrição animal no período de seca

Mesmo que não seja possível controlar o clima, cabe ao pecuarista adotar estratégias para reduzir o impacto que a falta das chuvas traz às pastagens.

Como? Veja algumas dicas para que você, como pecuarista, deve seguir para planejar a boa nutrição do gado e, assim, garantir o lucro da sua propriedade.

1.Saiba quando a estiagem irá ocorrer

É muito importante que o produtor acompanhe as previsões do tempo, pois ele impacta diretamente a sua produção.

Há sistemas de monitoramento de clima que são específicos para o setor agrícola e apontam com precisão as variações que irão ocorrer no clima.

Com essas informações, é possível se antecipar e tomar as decisões corretas para minimizar os prejuízos e demais problemas causados pela seca.

Ao saber o período certo de início e duração da estiagem pode-se fazer um planejamento sobre o melhor período para plantar o pasto ou as forrageiras para o preparo da silagem.

2.Vedação das pastagens

Uma técnica eficaz para garantir a alimentação do gado na época de seca é fazer a vedação parcial das pastagens. Por meio desse processo, é possível conciliar maior produção com melhor valor nutritivo.

Para realizar esse trabalho você irá precisar de lonas ou filmes agrícolas. A vedação deve ser feita no início de fevereiro, cobrindo-se 40% da área total destinada à pastagem. Do mês de maio até o final de julho esse pasto deverá ser oferecido ao rebanho.

Já os outros 60% devem ser vedados no início de março, sendo distribuídos ao gado durante os meses de agosto a outubro.

Lembrando que o acompanhamento técnico é muito importante.

3.Utilize a silagem na dieta do rebanho

Para manter o rebanho bem nutrido nas épocas em que o pasto é precário e não consegue suprir as necessidades do gado, a silagem pode desempenhar um papel fundamental nesse processo de reposição dos nutrientes.

As plantas devem ser colhidas e compactadas em camadas nos silos. O armazenamento precisa ser feito com atenção, pois a má vedação do silo representa uma das maiores perdas da silagem.

Utilize a lona dupla face para a vedação. Esse material reflete a luz do sol e mantém a temperatura adequada no interior, garantindo a qualidade nutricional e durabilidade do alimento.

4.As tecnologias podem aliadas

O uso de novas ferramentas tecnológicas tem se expandido de maneira impressionante e essa modernização chegou também no meio do agronegócio.

Aplicativos, softwares e sensores são capazes de verificar o peso dos animais, os níveis de nutrientes no solo da pastagem, administrar a qualidade da silagem e controlar, inclusive, a irrigação dos pastos, seu armazenamento e distribuição.

O avanço tecnológico é tamanho que já há a disponibilidade de aplicativo que permite o planejamento forrageiro da propriedade, como a oferta de alimentação para o rebanho ao longo de todo o ano, mesmo em períodos de seca.

Boas práticas para manter a nutrição animal do seu rebanho

O pasto representa a maior fonte de alimento do rebanho no Brasil. Nesse sentido, as épocas de seca podem gerar um grande obstáculo para a produtividade.

Com as pastagens comprometidas, o produtor corre o risco de ter prejuízo com a perda do gado, adoecimento dos animais ou queda da qualidade da carne.

Mas é possível reduzir esse impacto causado pela falta de chuvas nas pastagens com algumas estratégias. Confira:

  • Planeje suas ações: separe uma parte do pasto em épocas de chuva ou então aposte no plantio de determinadas forrageiras. Algumas alternativas indicadas para essa o plantio nessa época são o capim-elefante e a cana-de-açúcar. O produtor também precisa ter em mente o período em que a estiagem irá persistir, a quantidade de gado existente e o peso estimado de cada um. Ter um planejamento é fundamental para manter o equilíbrio e evitar perdas.
  • Faça uma silagem de qualidade: uma das melhores formas de assegurar a nutrição de qualidade ao rebanho nos tempos de seca é o uso da silagem. Sua produção é indicada nos períodos em que as forrageiras se desenvolvem bem. Após colhidas, devem ser compactadas e armazenadas em silos, com cuidados para não haver perda de material.
  • Invista na suplementação: o uso de suplementos tem por objetivo fazer com que o rebanho receba todas as vitaminas, sais minerais, proteínas, e carboidratos na quantidade correta para evoluir da maneira ideal. Os sais minerais e a ureia são os principais tipos de suplementação. No entanto, a escolha depende dos objetivos do produtor, das características do rebanho, entre outras questões.

Conclusão

A alimentação do gado está diretamente ligada à rentabilidade da fazenda. Por isso é importante que você esteja atento ao processo de nutrição animal, principalmente nos períodos de seca, que é onde há menor desenvolvimento das pastagens e que afeta diretamente o desempenho e qualidade do rebanho.

Com um planejamento assertivo e a aplicação de estratégias corretas, o rebanho ganhará o peso adequado, permanecerá saudável e terá um excelente desempenho. Isso garantirá o sucesso da sua produção e fará com que você obtenha bons lucros o ano todo.

E você, amigo pecuarista, o que tem feito para manter a qualidade do seu rebanho no período de seca? Conte pra gente!

    Pedro Silvestre de Lima

    Vivo a pecuária desde que nasci. Já fui monitor do curso Especialização em Nutrição de Ruminantes e Pastagens da ESALQ/USP durante dois anos e meio, trabalhei com consultoria técnica, empreendedorismo, mercado e inovação na pecuária de corte. Hoje atuo no fomento e disseminação de informações úteis e relevantes, com foco no lucro sustentável para o produtor rural.