Blog Canivete

publicado em 14 de dezembro de 2020

MANEJO DE VACINAÇÃO

MANEJO DE VACINAÇÃO

O que preciso saber para garantir a imunização do rebanho e reduzir os abscessos?

Segundo o mais recente levantamento de Custo de Produção da Bovinocultura de Corte do IMEA, do dia 15/04/2020, o item “Manejo Sanitário” representou apenas 0,98% do custo da arroba produzida na recria-terminação em Mato Grosso. Apesar da representatividade ser relativamente baixa, negligenciar a prática da vacinação pode acarretar em prejuízos massivos para a operação. É pensando nisso que organizamos um guia de boas práticas na vacinação para alcançar a imunização dos animais, e a segurança na lucratividade da operação.

Estas boas práticas se iniciam dentro do laboratório que desenvolve a vacina, por isso recomenda-se sempre comprar produtos confiáveis de laboratórios idôneos. Mas somente escolher o produto certo não é suficiente, os cuidados devem continuar na revenda, no transporte e dentro da porteira, tanto no manejo quanto no armazenamento.

Importante: Checar se a vacina tem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), assim como sua data de validade.

A temperatura de armazenamento da vacina, segundo a Associação Nacional de Insumos Agrícolas (ANDAV), deve ser de 2º a 8ºC. A falha na qualidade de armazenamento pode levar a deterioração da vacina, que, por sua vez, perde a capacidade de imunizar os animais. Durante o transporte também deve-se atentar à conservação da temperatura, entre 2º e 8ºC, por meio do uso de uma caixa térmica ou isopor (muito importante estar intacto, sem nenhum dano ou rachadura) com gelo, na proporção de 3 partes de gelo (deve estar picado) para uma parte de vacina. Se a vacina não for utilizada no mesmo dia da compra, o armazenamento deve seguir as seguintes recomendações:

  • O refrigerador deve ser de uso exclusivo para as vacinas, pois a manipulação constante pode levar a variações indesejadas de temperatura;
  • Evitar colocar as vacinas nas prateleiras superiores ou inferiores do refrigerador, tentando mantê-las na parte central;
  • Manter uma distância mínima de 4 cm de cada vacina para que haja circulação do ar frio;
  • As vacinas que vão vencer primeiro devem ficar à frente das que tem um prazo maior, para serem utilizadas antes;
  • Deixar garrafas com água e sal no congelador para utilizar para reduzir a temperatura do refrigerador quando necessário;
  • Deixar gelo reciclável no congelador para utilizar no transporte de vacinas;
  • As vacinas devem ser armazenadas fora de sacos plásticos ou caixas térmicas quando dentro do refrigerador;
  • Para facilitar o controle e conferência do estoque alocar de forma organizada por laboratório, partida e vencimento.

Durante o manejo de vacinação do curral, as vacinas devem ficar no isopor ou caixa térmica com gelo picado. Também é recomendado que o responsável por este manejo realize um treinamento com a equipe.

O equipamento a ser utilizado deve ser todo esterilizado, seguindo os passos a seguir:

  • Utilizar luvas para impedir o contato das mãos com o material;
  • Desmontar as seringas aplicadoras;
  • Lavar cada parte com água corrente e detergente neutro;
  • Ferver todas as partes por 15 a 20 minutos, menos as partes de borracha.

A esterilização das ferramentas de trabalho, aliada as boas práticas do manejo de aplicação, podem reduzir a incidência de caroços e abscessos, e por consequência, evitar danos indesejáveis na carcaça. Segundo o estudo “REFLEXOS ECONÔMICOS DE PERDAS QUANTITATIVAS POR ABCESSOS VACINAIS EM CARCAÇAS DE BOVINOS ABATIDOS NO ESTADO DA BAHIA, BRASIL”, o qual foram avaliadas 5225 carcaças, o prejuízo por abscessos foi de R$ 29.978,75, totalizando R$ 5,74 por animal.

Após o término do manejo vacinal, deve-se observar o lote a fim de detectar se algum animal apresenta comportamento estranho devido a reação adversa da vacina. Os animais devem ser conduzidos tranquilamente até o pasto ou baia, pois o estresse pode levar a redução do efeito desejado de imunização. O mesmo vale se o animal estiver debilitado, o ideal é esperar sua recuperação para a imunização.

Pode aplicar mais de uma vacina no mesmo dia no mesmo animal, variando o local de aplicação (ganha-se em termos de manejo), assim como podem ser associados antiparasitários, por exemplo.

Quais vacinas são obrigatórias ou recomendadas?

Aftosa: O calendário de vacinação contra a Febre Aftosa varia conforme seu estado. Ele pode ser conferido no site oficial do Governo Federal, ou clicando aqui. A dosagem pode variar conforme a composição da vacina, sendo a base de óleo ou água, sendo de 2 ou 5 ml. Sua aplicação também pode ser subcutânea ou intramuscular.

Brucelose: Doença infecciosa nos animais que pode causar aborto. A vacina para prevenção da doença é a B19. Deve ser aplicada somente nas fêmeas entre três e oito meses. A dosagem é de 2 ml por animal, via subcutânea na tábua do pescoço.

Carbúnculo: Conhecida como manqueira, é uma doença infecto-contagiosa que causa inflamação nos músculos. A aplicação da vacina deve ser em todos os animais. Por ser subcutânea, a dosagem pode ser de 5 ml por animal, a partir do terceiro mês de vida.

Raiva: doença viral que ataca o sistema neurológico do gado. Para a prevenção, todos os animais devem ser vacinados, a partir do terceiro mês de vida. A dosagem é de 2 ml por animal e a injeção é subcutânea.

IMPORTANTE: Sempre ler a bula da vacina e consultar o veterinário responsável. As doses e modos de aplicação podem variar.

IMPORTANTE²: O Bem-estar animal é imprescindível durante o manejo de vacinação, pois sob condições de estresse, o efeito é reduzido.

IMPORTANTE³: A higienização do aplicador e de quem está aplicando é o principal fator para reduzir a incidência de abscessos.

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    Pedro Silvestre de Lima

    Vivo a pecuária desde que nasci. Já fui monitor do curso Especialização em Nutrição de Ruminantes e Pastagens da ESALQ/USP durante dois anos e meio, trabalhei com consultoria técnica, empreendedorismo, mercado e inovação na pecuária de corte. Hoje atuo no fomento e disseminação de informações úteis e relevantes, com foco no lucro sustentável para o produtor rural.