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publicado em 11 de dezembro de 2020

COMO AUMENTAR O LUCRO DO CONFINAMENTO COM O DDG?

COMO AUMENTAR O LUCRO DO CONFINAMENTO COM O DDG?

Um guia de tudo o que você precisa saber sobre o DDG e suas formas, desde o processo até os melhores níveis em dieta, com o foco no ganho máximo econômico no confinamento.

Os grãos secos de destilaria, ou DDG, têm despertado o interesse do setor produtivo há algum tempo, devido a características como o preço, que muitas vezes é mais atrativo que outras opções, como o farelo de soja ou o milho por exemplo. O fato deste alimento apresentar alto teor de fibra digestível e baixo teor de amido, porém mantendo ou até aumentando os níveis energéticos da dieta, devido à concentração dos demais atributos nutricionais, favorece seu uso em dietas de alta energia, já que estas características contribuem para a atenuação de riscos de disfunções digestivas, como a acidose.

A oferta do coproduto derivado da produção de etanol de milho no Brasil só cresce, em especial na região Centro-Oeste, e essa tendência deve seguir nos próximos anos, uma vez que se tem anúncios de expansão de plantas já existentes e também construção de novas indústrias de produção de etanol. O DDG já tem utilização consistente em confinamentos nos EUA, mas no Brasil a sua disponibilização é relativamente recente e, portanto, as informações sobre sua utilização na nutrição de gado de corte em condições tropicais ainda são poucas.

Quais os tipos de DDG disponíveis no mercado?

Além do DDG, que é a forma de resíduo seco sem os solúveis, existem as seguintes formas:

Grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS)

Grãos secos de destilaria de alta fibra com solúveis (Bran + Solubles)

 

 

 

Grãos secos de destilaria de alta proteína (HiPro DDG)

Todos estes tipos podem ainda ser encontrados na forma úmida, e a nomenclatura se dá substituindo-se a letra “D” (dried = seco) pela letra “W” (wet = úmido), formando-se o chamado WDG.

 

Onde estão as plantas que produzem DDG?

No mapa a seguir estão listadas as plantas de usinas associadas a União Nacional do Etanol de Milho – UNEM.

Como funciona o processo de produção do DDG?

O processo de produção do DDG tem início com a combinação da moagem do milho, adição de água e temperatura correta para fermentação e posteriormente vai para a destilação. O produto que resulta deste processo é chamado de vinhaça completa, que é separada por centrifugação, sendo dividida em sólidos grosseiros e vinhaça fina. Quando a vinhaça fina sofre evaporação produz os destilados condensados. Os sólidos grosseiros podem seguir dois caminhos: serem comercializados como grãos úmidos de destilaria (WDG) ou passar por secagem, resultando nos grãos secos de destilaria (DDG). Os destilados condensados também são chamados de xarope, que pode ser adicionado ao WDG e ao DDG resultando em grãos de destilaria – úmidos ou secos – com solúveis, o WDGS e o DDGS, respectivamente. Este processo é ilustrado abaixo:

 

Qual a composição e os atributos nutricionais do DDG?

Durante o início da produção de DDG no Brasil era mais comum a sua utilização em substituição aos concentrados proteicos, em especial ao farelo de soja, uma vez que a disponibilidade era ainda bastante limitada deste coproduto do milho. Com o aumento da oferta do DDG, tem-se por tendência aumentar a sua utilização em substituição principalmente ao milho, possibilitando, porém, a diminuição da utilização de parcial ou total do concentrado proteico nas dietas de confinamento.

A inclusão de DDG na dieta em substituição ao milho estimula o consumo animal, devido a diminuição dos níveis de amido da mesma. O fato de o DDG apresentar, em geral, maior concentração de lipídeos e à boa digestibilidade da fração fibrosa, faz com que tenha maior concentração energética que o milho, resultando em um melhor desempenho animal.

O DDG apresenta concentrações satisfatórias de fósforo (mineral limitante em regiões tropicais) e cálcio, sendo em torno de 0.05 e 0.86% na matéria seca, respectivamente. É preciso ter atenção especial à qualidade de mistura da dieta ao utilizar o DDG, uma vez que se houver seleção de ingredientes e ocorrer o consumo exagerado deste produto, pode ocorrer intoxicação pelo excesso de enxofre, dependendo da concentração apresentada deste componente. O DDG utilizado em no experimento conduzido no Centro de Pesquisa Nutripura – CPN (que apresentaremos a seguir), apresentou nível médio de 0.5% de enxofre na matéria seca.

Comparando o DDG utilizado em nosso experimento (DDG alta fibra) com o DDGS tradicional (Tabela 1), percebemos que o nosso possui maior concentração de fibra (FDN) e menor teor de proteína. A fração proteica do DDG apresenta menor degradabilidade no rúmen, devido à grande participação da Zeína (principal proteína do milho). Assim, para atender as exigências de proteína degradável no rúmen (PDR) utilizando o DDG, é comum ultrapassar as exigências totais de proteína bruta e para diminuir esse efeito de baixa PDR a utilização de ureia vem a calhar em níveis de inclusão de DDG abaixo de 25% da dieta (em matéria seca).

As formas úmidas do produto (WDG) apresentam maiores níveis energéticos devido à presença de resquícios de etanol e possivelmente também pela maior degradabilidade da fibra que não sofreu tratamento térmico para secagem.

Qual nível de inclusão de DDG apresenta o melhor retorno econômico? O experimento e seus resultados:

O experimento conduzido no Centro de Pesquisa Nutripura, o CPN, testando inclusões de DDG alta fibra teve por resultado que a presença de 20% do produto na dieta ocasionaria o maior ganho de peso e também peso de carcaça. Ocorre que devido à combinação dos preços dos ingredientes, a inclusão de 33% do DDG alta fibra (FS Ouro®) proporcionou o melhor retorno econômico.

Tabela 1 – Composição do DDGS, DDGS alta proteína e DDGS  tradicional

Objetivou-se estimar, no experimento, o nível ótimo de inclusão de grãos secos de destilaria de alta fibra com solúveis em dietas de machos Nelore não castrados terminados em confinamento, para melhoria do desempenho animal. O experimento foi conduzido no Centro de Pesquisa Nutripura, o CPN, (Pedra Preta, MT) entre os dias 4 de Setembro e 11 de Dezembro de 2018.

Foram utilizados 964 animais (441 ± 62 kg), que foram distribuídos em 32 baias de 14 x 30 m. Foi utilizado o Delineamento em Blocos Completos Casualizados. Um período de 21 dias de adaptação foi realizado anteriormente ao início do experimento. Os tratamentos testados foram: DDG0; DDG25; DDG50 e DDG75, sendo respectivamente, dieta sem DDG, dieta contendo 25%; 50% e 75% de DDG. Foi observado efeito quadrático da inclusão do DDGS sobre o consumo, ganho de peso, peso final e peso de carcaça dos animais.

O consumo de matéria seca apresentou ponto máximo com inclusão de 8,3% de DDG na dieta, já o peso de carcaça apresentou seu máximo valor com 17,8% de DDG na dieta. Não foi identificada diferença (P > 0.05) para eficiência alimentar. A inclusão de 18,0% de DDG na dieta provém maior peso de carcaça, sem alterar a eficiência alimentar de machos Nelore recebendo dieta rica em coprodutos em confinamento. O melhor retorno econômico nas condições experimentais foi alcançado com o nível de 33% de inclusão do DDG alta fibra na dieta.

1 DDG0, DDG25, DDG50 e DDG75: tratamentos com 0%, 25%, 50% e 75% de FS Ouro® na dieta, respectivamente.

Tabela 3 – Média e erro padrão da media (EPM) para desempenho animal em sistema de confinamento

1/ DDGS incluso em 0, 25, 50 e 75% na dieta

2/CMS = Consumo de matéria seca, GMD = ganho médio diário de peso, EA = eficiência alimentar, CA = conversão alimentar.

3/L = efeito linear, Q = efeito quadrático.

Estes são resultados provenientes do experimento realizado no Centro de Pesquisa Nutripura, onde já fizemos quatro experimentos com resíduos de destilaria. Cada situação precisa ser analisada a parte para entender a melhor viabilidade econômica da dieta.

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    Leandro Soares Martins

    Gerente de Pesquisa do Centro de Pesquisa Nutripura, natural de Minas gerais, Zootecnista, Mestre e Doutor pela Universidade Federal de Viçosa. Doutorado sanduíche na University of Queensland, na Austrália.