Blog Canivete

publicado em 25 de fevereiro de 2021

CONFINAMENTO: BOAS PRÁTICAS PARA O SUCESSO DA OPERAÇÃO

O sistema de produção de pecuária de corte é composto por diversos modelos, desde o mais extensivo, a pasto, até os mais tecnificados. E dentre estes modelos de produção, o confinamento ganha mais destaque a cada ano, devido ao grande leque de estratégias que pode representar, como por exemplo, ajuste de lotação da fazenda, auxiliar na compra de animais de reposição, permitindo ser utilizado como estrutura de recria confinada no período de transição seca-águas. Por permitir a engorda de um grande número de animais em pouca área e curto espaço de tempo, o planejamento da operação deve ser muito bem feito, pensando na compra ou escolha dos animais que vão entrar nas baias, na aquisição de insumos, nas boas práticas operacionais e na comercialização dos animais.

Este artigo tem como objetivo trazer informações sobre os procedimentos operacionais do confinamento e as boas práticas que fazem a diferença para o sucesso da atividade.

Organograma e funções no confinamento

Com o objetivo de deixar definida as funções de cada integrante, é importante que se tenha bem claro o organograma da equipe e as funções de cada integrante dentro do sistema. Isso torna as atividades mais simples de serem executadas pois cada um sabe das suas funções e da importância que elas representam dentro da atividade. Mais que isso, um organograma bem desenhado auxilia a todos a entenderem a importância de cada um na condução do seu trabalho e o quanto isso contribui para o resultado final da atividade.

Infraestrutura e Maquinário

Na fase inicial, de planejamento do confinamento, deve ser dada atenção especial para a parcela estrutural. A mesma deve passar por manutenção antes do início do confinamento. Fizemos este checklist para auxiliar na conferência:

  1. Reservatório limpo e com volume de água adequado;
  2. Bebedouros revisados, limpos e sem vazamentos;
  3. Cochos e placas de identificação revisados;
  4. Cercas alinhadas e arames esticados;
  5. Barracão limpo e em condições de funcionamento;
  6. Baias limpas e sem a presença de acúmulo de esterco;
  7. Acessos internos aos bebedouros e aos cochos;
  8. Curral de manejo limpo e revisado;
  9. Estradas em condições adequadas para acesso de tratores e vagões.

Checklist para o maquinário:

  1. Tratores revisados;
  2. Vagões e suas respectivas balanças revisados;
  3. Pá carregadeira revisada;
  4. Bombas d’água revisadas.

Ao longo do período de confinamento, é recomendado escolher um dia na semana para a limpeza e manutenção do maquinário. Nessa tarefa, planilhas contendo as ações realizadas com cada maquinário ao longo do tempo, auxiliam, facilitando o controle da manutenção das máquinas, o que reduz as despesas com manutenção extra ou quebra das mesmas. Outra ação importante nesse contexto é a compra de peças de reposição e equipamentos que normalmente quebram, com objetivo de agilizar o processo de substituição e evitar atrasos na operação.

Recepção dos animais

Os animais terminados em confinamentos podem ter basicamente três tipos de origem: a compra, quando os animais são adquiridos e chegam ao confinamento via caminhões ou são tocados; quando os animais já estão na fazenda e são direcionados para a terminação em confinamento; e a recepção de animais de parceiros, que seguem o mesmo manejo da compra.

Os animais de compra, assim que chegam ao confinamento, devem ser direcionados para um piquete ou baia de recepção para descanso, com acesso a água a vontade, pasto e/ou cocho para suplementação pelo período mínimo de 24 horas, para diminuir o estresse ocasionado pelo transporte. Esse descanso auxilia os animais na reposta ao protocolo sanitário, pois os animais são processados descansados e com chance de resposta imunológica mais eficiente.

Os animais que já se encontram na fazenda, não exigem cuidados especiais e podem respeitar o protocolo de pesagem, que será discriminado no próximo tópico.

Protocolo de pesagem

O protocolo de pesagem dos animais é necessário para que sejam padronizados os horários de pesagem.

Saída: O jejum não é indicado, pois o envio dos animais ao abate sob regime de restrição alimentar pode gerar perdas diretas de carcaça devido à desidratação animal e queima de glicogênio muscular.

LembrarA entrada do animal na balança só deve ser permitida após ser confirmado o valor 0 (zero) em seu visor.

Processamento dos animais

No processamento dos animais temos a possibilidade de realizar três atividades, sendo elas o protocolo sanitário, identificação e o aparte dos animais.

O protocolo sanitário é um manejo importante para garantirmos a saúde dos animais na fase de terminação. É importante salientar que são vários os fatores de estresse que contribuem para manifestação de doenças nessa fase, como: transporte, pesagem, identificação, vacinas, alta concentração de animais, tudo isso aliado a uma dieta diferente, representam fatores que aumentam a possibilidade de ataque de agentes oportunistas e que podem resultar em doenças. Essas doenças podem levar alguns animais a morte ou diminuir o desempenho através de redução de consumo. Para que possamos ter animais protegidos contra as principais enfermidades encontradas em confinamentos, é sugerido o seguinte protocolo sanitário:

  1. Controle de ecto e endoparasitas, utilizando medicamentos com carência menor que o período de engorda;
  2. Vacina contra Aftosa (caso seja necessário);
  3. Vacina específica para Botulismo;
  4. Vacina específica para Clostridioses (Carbúnculo, Enterotoxemia, etc…);
  5. Vacina contra Raiva.

 A segunda atividade a ser realizada é a identificação dos animais, que deve ser feita de forma individual e também com a finalidade de identificar a que grupo (baia) cada animal pertence. A identificação individual é realizada através da colocação do brinco com o número de manejo e do controle de rastreabilidade (se houver), colocação do bóton com o número do controle de rastreabilidade (se houver), além da utilização de chip se houver alguma tecnologia envolvida no processo. Cada animal pode receber ainda durante o processo de identificação, uma marca feita a ferro quente, com o número da sua respectiva baia.

A terceira atividade que deverá ser realizada no processamento dos animais é o aparte dos mesmos. Este deve ser feito visando a homogeneidade de cada lote, para diminuir os prejuízos com o efeito de dominância que ocorre entre os animais, além de buscar uma maior padronização, que facilita a formulação de dietas e estratégias nutricionais.

Este é o momento de aparte de animais inteiros de castrados, machos de fêmeas, nelore de cruzados, entre outros critérios.

Tem-se também, no momento do processamento dos animais, a oportunidade de apartar animais que chegam ao confinamento machucados ou muito debilitados para uma “Baia Enfermaria”, para que estes animais sejam submetidos a um protocolo sanitário específico, dando a eles assim condições adequadas para apresentarem desempenho satisfatório. Neste caso além do protocolo sanitário normal é indispensável o uso de um antibiótico associado a anti-inflamatórios e modificadores orgânicos.

Para a definição do tamanho do lote, temos duas situações, que variam de acordo com a possibilidade de chuvas.

Para o período seco devemos respeitar a capacidade linear de cocho de 0,35 m/animal adulto e área interna de 14 m²/animal adulto.

Para a terminação de animais que abrange o período de chuvas (novembro a março) devemos respeitar a capacidade linear de cocho de 0,50 m/animal adulto e área interna de 30 m²/animal adulto.

Entrada no confinamento

Após o processamento dos animais e formação dos lotes, os animais deverão ser encaminhados para a suas baias. Durante este período atenção especial deve ser dada para:

  1. Retirar do lote os animais que estiverem refugando cocho, e enviá-los para a “Baia Enfermaria” (Isso deve ocorrer com até 7 dias de confinamento);
  2. Retirar do lote os animais que estiverem sofrendo com sodomia;
  3. Retirar do lote animais machucados (Casco ou Chifre).

Qualquer manejo dentro do confinamento, como a inclusão ou retirada de algum animal de algum lote deverá ser registrada e comunicada ao final de cada manejo para o responsável pela “alimentação” do programa utilizado para gerenciamento do confinamento.

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    Felipe Coral Voltani

    Supervisor Técnico Comercial, Nutripura
    Engenheiro Agrônomo – ESALQ/USP
    Especialização em Produção Animal – ESALQ/USP