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publicado em 14 de dezembro de 2020

CONFINAMENTO: BOAS PRÁTICAS PARA O SUCESSO DA OPERAÇÃO – PARTE 3

CONFINAMENTO: BOAS PRÁTICAS PARA O SUCESSO DA OPERAÇÃO – PARTE 3

Chegamos ao terceiro artigo da nossa série de boas práticas para o sucesso da operação de confinamento. No primeiro artigo da série, exploramos a importância de se ter um organograma da operação e as funções definidas de cada colaborador, assim como fizemos um checklist para conferência de infraestrutura e maquinário. Também explanamos sobre o manejo de recepção dos animais provenientes de diferentes origens. Além disso, foram explicados:  protocolo de pesagem, processamento dos animais e a entrada no confinamento.

Já em nosso segundo artigo da série, o foco foi no manejo do trato dos animais, explicando o manejo de cocho, a leitura de cocho, a quantidade de tratos e horários, a preparação e fornecimento das dietas, assim como a avaliação de matéria seca nos ingredientes, o estoque dos ingredientes, o barracão, a silagem e a granulometria dos ingredientes.

A água é o alimento mais importante dentro do confinamento, visto que é o insumo consumido em maior quantidade diariamente pelo animal e por ser precursor de consumo do alimento sólido. Sendo assim, os cuidados com a água que será fornecida aos animais devem ser constantes. O monitoramento da qualidade e da quantidade de água disponível deve ser prioridade de checagem dentro da operação do confinamento. O volume de água e a limpeza do reservatório principal devem ser verificados diariamente, já que a qualidade e a disponibilidade de água têm reflexos diretos e imediatos no consumo, e consequentemente, no desempenho dos animais. É recomendado que o reservatório principal seja limpo ao menos uma vez ao ano, antes do início do confinamento. Em relação aos bebedouros, cuidados especiais devem ser adotados para garantir que a água ingerida pelos animais esteja dentro dos padrões de qualidade necessários. A higienização dos bebedouros é recomendada ser feita de modo a garantir que a água disponível esteja sempre limpa. A frequência de limpeza vai depender de alguns fatores como fonte de água usada, tipo de dieta, número de animais por baia e tipo e tamanho do bebedouro, por exemplo. Atenção para não realizar a limpeza nos horários de pico de consumo de água dos animais, entre as 10:00 e 14:00 horas.

Avaliação das fezes dos animais

A avaliação das fezes deve ser realizada visualmente todos os dias e anotada uma vez por semana. Ela reflete a harmonia entre dieta, consumo de alimento e a saúde do animal, desta forma ela deve ser utilizada como ferramenta para avaliar a adaptação dos animais à dieta, sua digestibilidade aparente e a ocorrência de distúrbios nutricionais graves, como acidose ruminal.

Para podermos ter um critério de avaliação, trabalhamos com as seguintes variações na consistência das fezes dos animais:

  • Muito moles (Diarréia) – Escore 0
  • Moles (Taxa de passagem alta) – Escore 0.5
  • Muito Duras (Baixo consumo) – Escore 0
  • Duras (Taxa de Passagem baixa) – Escore 0.5
  • Ideais – Escore 1

Dessa forma, para fazer a avaliação das fezes, contamos 10 fezes frescas, de preferência no primeiro horário da manhã, e fazemos a soma das notas avaliadas. Notas acima de 7 são esperadas para animais em adaptação e acima de 8 para animais em dietas de crescimento e terminação com consumo estável.

Didaticamente usamos a seguinte escala fecal como referência:

Ronda Sanitária e Ronda Técnica

A Ronda Sanitária deve ser realizada uma vez por semana, por um técnico acompanhado de um responsável pelo manejo do gado. Durante tal prática serão realizadas as seguintes atividades: contagem de animais presentes em cada baiaconferência das marcações para certificação que todos os animais ali presentes pertencem a àquela baiaavaliação de escore de fezes, avaliação de casos de laminite (inflamação na parede do casco que causa dor, claudicação e mudanças estruturais) e demais distúrbios metabólicosidentificação de animais feridosdoentes e/ou animais que não estão consumindo a dieta (refugo de cocho).

Quando é detectado algum animal com alguma das alterações citadas anteriormente, o mesmo deve ser retirado e realocado para um piquete “enfermaria”, sendo este animal submetido a um protocolo sanitário específico para sua situação. A retirada de animais deverá ser comunicada imediatamente ao gestor, para a atualização do sistema de gerenciamento.

Além da ronda sanitária, deve-se realizar diariamente a ronda técnica, que consiste em avaliar a condição geral do confinamento, atentando a estruturas como cercas e divisórias, porteiras, cochos e pavimentos. Durante a ronda técnica são levantados os pontos necessários de manutenção e conserto, que serão passados ao responsável pela manutenção do confinamento. Durante a ronda técnica é imprescindível que o responsável avalie a planilha de consumo baia a baia e seja criterioso em listar quais currais demandam mais atenção dentro do confinamento. Para auxiliar a ronda técnica, é usado um checklist criado para cada confinamento.

Lançamento de dados e controle de informações

O Lançamento de dados deve ser feito por uma pessoa previamente treinada. O Programa de gerenciamento das informações deve estar sempre atualizado. Para isso todas as informações dos animais ou de insumos deverão ser lançadas no programa imediatamente após a realização de algum manejo ou movimentação de ingredientes (Entrada ou Saída). Isso vai possibilitar que os relatórios estejam sempre atualizados e possam ser utilizados como informações que facilitem as tomadas de decisões em tempo hábil para correção de eventuais equívocos.

O confinamento é uma atividade complexa, com alta demanda de capital investido, quando levamos em consideração a dieta e os animais. Por esse motivo, todos os dados devem ser lançados no programa para que possamos contemplar todos os custos envolvidos no processo e ao final verificar a rentabilidade real do sistema. Esta função deve ser realizada por uma pessoa específica para que seja bem executada e padronizada.

As movimentações, baixas de animais e baixas de estoque de insumos devem ser realizadas diariamente para termos números fidedignos nos relatórios gerenciais.

IMPORTANTE: O uso deste ou daquele programa de gerenciamento não garante a qualidade da informação coletada, o que assegura a qualidade das informações é a disciplina e compromisso do responsável pela coleta e lançamento destas.

Embarque dos Animais

Ter uma data prevista e pré-definida para saída dos animais (podendo variar conforme estratégias de mercado ou acabamento dos animais) pode ser vantajoso, pois permite um planejamento estratégico de compra de insumos e demanda de serviços, assim como negociação dos animais que entrarão no sistema de confinamento no giro seguinte. Assim que definida a previsão de embarque, esta informação deverá ser enviada ao responsável pela venda dos animais com antecedência, para que seja conduzida a melhor negociação possível.

Um fator importante a ser analisado é o período de carência dos medicamentos usados no protocolo sanitário adotado, bem como de algum medicamento usado de forma curativa em algum animal. Por esse motivo é importante a retirada dos animais recém medicados, garantindo assim que todos estejam aptos para o embarque, dentro da carência pré-estabelecida.

Após a pesagem final dos animais, os pesos de embarque deverão ser lançados no programa de gerenciamento e ao final do embarque emitido o relatório de Ganho de Peso diário e Eficiência Alimentar. Pode ser gerado também planilhas de consumo e desempenho dos animais em formato Excel, para a avaliação das quantidades de dieta ofertada, para posterior avaliação.

No dia seguinte, após o embarque, deverá ser solicitado o resumo do embarque e lançado no sistema o preço de venda dos animais (com premiações) e o rendimento de carcaça obtido.

Após isso, deverá ser emitido o relatório com o resumo do embarque, com as informações financeiras, eficiência biológica e quantidade de arrobas produzidas por animal. É importante compartilhar os resultados com a equipe no quadro de gestão à vista para que todos tenham acesso ao resultado final do trabalho.

Relatórios e Checklist

A emissão de relatórios é de grande importância para possibilitar uma análise mais aprofundada do sistema de confinamento em geral. Para realização de tal análise tem-se a disponibilidade de relatórios diários e os esporádicos, variando conforme a gestão de cada operação.

O relatório diário nos permite avaliar o manejo e tomar decisões que resolverão problemas imediatos do confinamento. Tais relatórios podem ser enviados todos os dias via e-mail ou grupos de WhatsApp. São eles:

 

  • Relatório zootécnico;
  • Relatório de consumo de matéria seca e leitura de cochos;
  • Eficiência de fornecimento de dieta (Previsto x Realizado);
  • Estoque atualizado.

 

O relatório esporádico é aquele gerado ao se encerrar algum ciclo de produção, como o relatório gerado após o embarque dos animais. Estes são utilizados para se fazer o fechamento econômico e zootécnico de um lote ou uma baia.

O uso desses relatórios mostra o grau de profissionalismo e de gestão do confinamento e possibilitam a minimização dos riscos inerentes ao sistema de produção.

checklist (realizado durante a ronda técnica) é uma forma simples de monitorar diariamente todas as funções pré-determinadas no confinamento. Deverá ser feito na avaliação do final do dia, quando é feita uma vistoria no barracão, silos, baias (cochos e bebedouros) para a certificação de que os animais irão passar o longo período da noite em condições adequadas. Tal atividade deve ficar sob a responsabilidade de um técnico capacitado.

Rotina do confinamento

Neste tópico serão destacadas algumas atividades de relevância e que podem ser realizadas como rotina.

Como dito por nosso conselheiro técnico, o professor James Drouilard, da Kansas State University – “Confinamentos são sistemas de produção muito complexos, onde o tempo dos processos são determinantes para a saúde, bem estar e produtividade dos animais” – resumindo, a rotina diária dentro do confinamento é fundamental para o bom resultado da operação.

Dentre as atividades que fazem parte do dia-a-dia do confinamento, destacamos as seguintes:

  • Leitura de cochos (avaliar a quantidade e a qualidade da sobra da dieta, os animais, a estrutura de cochos, bebedouros e cerca e as fezes dos animais);
  • Limpeza dos cochos;
  • Distribuição de tratos;
  • Alimentar o programa com as leituras de cocho para impressão das planilhas de trato;
  • Apresentação dos relatórios de eficiência de formação de vagão e de quantidade de trato nas baias para a equipe de trato;
  • Entrega das fichas de trato para iniciar o fornecimento de dieta para os animais;
  • Impressão do relatório Zootécnico e avaliação dos mesmos (fazer os ajustes no dia caso necessário);
  • Conferência de estoque de ingredientes;
  • Reunião com a equipe para discutir as atividades e resultados do dia;
  • No final da tarde, avaliação do confinamento através do checklist antes do encerramento das atividades.

 

A terminação dos animais em sistemas intensivos é prejudicada todas as vezes que observamos oscilações dentro do confinamento. O objetivo é fazer o mesmo trabalho todos os dias nos mesmos horários, já que os animais respondem melhor quando existe uma rotina.

O sucesso do confinamento é feito pela soma da contribuição de todos os participantes do processo, por isso valorizar o trabalho de todos é essencial.

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    Felipe Coral Voltani

    Supervisor Técnico Comercial da Nutripura
    Engenheiro Agrônomo – ESALQ/USP
    Especialização em Produção Animal – ESALQ/USP