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publicado em 14 de dezembro de 2020

CONFINAMENTO: BOAS PRÁTICAS PARA O SUCESSO DA OPERAÇÃO – Parte 2

CONFINAMENTO: BOAS PRÁTICAS PARA O SUCESSO DA OPERAÇÃO – Parte 2

Se você ainda não leu nosso primeiro artigo de BOAS PRÁTICAS PARA O SUCESSO DA OPERAÇÃO, não deixe de conferir, pois lá abordamos sobre a importância de se ter um organograma da operação e as funções definidas de cada colaborador, assim como fizemos um checklist para conferência de infraestrutura e maquinário. Também explanamos sobre o manejo de recepção dos animais, provindos de diferentes origens. Além disso, foram explicados:  protocolo de pesagem; processamento dos animais e a entrada no confinamento.

Retomando o último tópico da primeira parte sobre a entrada dos animais no confinamento, sobre o primeiro trato, a quantidade de dieta fornecida depende da hora que os animais chegam às baias após as formações dos lotes. O ideal é que quantidade de animais processadas no dia seja suficiente para que o término do processamento ocorra até o meio dia. Isso vai possibilitar que os animais cheguem as suas baias até as 14:00 horas.

Logo após a chegada dos animais em suas baias, deve ser realizado o fornecimento da dieta adaptação na quantidade em matéria seca planejada.  O primeiro fornecimento depende do horário de entrada dos animais na baia e da situação de pré-condicionamento dos animais ao cocho, geralmente é limitada no máximo a 1,4% do peso vivo e fornecida em 1 a 2 tratos. O fornecimento de trato dos dias seguintes deve ser feito baseado na leitura de cocho matutina (06:00 hrs) e em uma leitura de cocho noturna (19:30 hrs), para determinação do ajuste do fornecimento do dia seguinte.

O manejo do trato em confinamento depende da estratégia de alimentação escolhida. Esta estratégia pode variar conforme o preço dos principais insumos, valor de remuneração pela arroba do boi e necessidade/características do animal. Em linhas gerais, a recomendação é que se use de 3 a 5 dietas (podendo variar conforme a estratégia nutricional adotada), sendo elas:

  1. Dieta de adaptação;
  2. Dieta de intermediária 1;
  3. Dieta de intermediária 2;
  4. Dieta de terminação 1;
  5. Dieta de terminação 2.

O tempo de uso de cada dieta deve ser pré-determinado no planejamento da operação e no plano nutricional escolhido. De maneira geral, a dieta de adaptação é utilizada por 7 dias, cada dieta intermediária é utilizada durante 7 dias e as dietas de terminação utilizadas após este período, até o abate dos animais.

Uma das maiores preocupações no confinamento é com o consumo de matéria-seca pelos animais, desta forma todas as ações de ajuste de fornecimento e mudanças de dietas devem ser feitas da forma menos impactante para o animal.

Assim sendo, não é recomendado o aumento do fornecimento da dieta no dia de transição. Poderá neste momento, ser fornecida uma quantidade de dieta baseada na manutenção do nível energético consumido pelos animais no período anterior à mudança de dieta, caso sejam trabalhados os ajustes de acordo com a ingestão diária de energia líquida de ganho.

O protocolo de início e aumento de fornecimento vai oscilar de acordo com os insumos utilizados, classe e categoria animal, pré-adaptação dos animais ao cocho, etc.

Durante a adaptação dos animais, o fornecimento deve ocorrer em quantidades equivalentes a 1,0% a 1,4% do peso vivo no primeiro dia e subindo de acordo com a leitura de cocho matutina, não fazendo ajustes maiores que 1 kg de matéria seca por dia por animal, até atingir 2,0% do peso vivo em consumo.

Com o avanço dos dias de confinamento e mudanças de dietas, os ajustes são baseados na leitura de cocho diária, conforme será visto no próximo tópico.

Leitura de cocho

A leitura de cocho é a melhor ferramenta utilizada para realização do ajuste da quantidade de alimento fornecido para os animais em cada baia, além de auxiliar na avaliação geral dos animais e do confinamento antes que seja realizado o primeiro trato. Para que tal processo seja eficiente é importante que os horários dos tratos sejam respeitados rigorosamente, pois pressupõe-se que tal consumo foi realizado em um período de 24 horas. É essa ferramenta, juntamente com a observação do comportamento dos animais e do histórico de consumo da cada baia, que vai determinar o ajuste feito na quantidade de dieta fornecida, ou seja, para definir a leitura de cocho, observamos a sobra de dieta (e qualidade da mesma), o comportamento dos animais e o histórico de consumo.

A leitura deve ser realizada no mínimo uma vez ao dia, de preferência pelo mesmo avaliador, a primeira leitura de cocho deve ser realizada por volta das 06:00h, porém mais importante que isso é que ela seja realizada todo dia no mesmo horário. Leituras complementares podem ser usadas durante o dia. A leitura noturna, realizada por volta das 20:00h tem o objetivo de auxiliar nos ajustes do dia seguinte, em especial nos lotes em início de trato, é feita a quantificação de dieta disponível neste horário, sendo atribuídas as notas C (cheio) ou V (vazio), no caso de ter ou não alimento no cocho. A leitura noturna será realizada até que os animais atinjam o consumo médio diário de 2.3% do peso corporal em matéria seca durante o início do confinamento.

Durante a primeira leitura diária, será atribuído um escore que varia de -3 a 3, sendo estes valores baseados na quantidade de ração presente no cocho na hora da leitura e também na leitura de cocho realizada no dia anterior, no período noturno, quando foram atribuídos os conceitos “Cheio” ou “Vazio”. Os escores dados durante as leituras estão descritos na tabela a seguir:

A fim de realizar um melhor ajuste na leitura de cocho, refletindo em menor desperdício e maior eficiência, pode se adotar que:

  • Apenas baias contendo animais consumindo menos que 2% do peso corporal (PC) em MS, podem receber o escore “-2”. Baias contendo animais consumindo entre 2 e 2,3% do PC em MS podem receber o escore mínimo de “-1”.
  • Após dois dias consecutivos de aumento na oferta de MS, para animais consumindo entre 2 e 2,3% do PC em MS, dever-se atribuir o escore “0,5”, mantendo assim a quantidade de oferta da dieta do dia anterior. Tal conservadorismo no protocolo foi proposto devido à possibilidade de sobrecarga do trato gastrointestinal, o que poderia culminar em distúrbios metabólicos futuros.
  • Baias contendo animais com consumo maior ou igual a 2,3% do PC em MS, não podem receber escore negativo durante a leitura de cocho, sendo possível realizar o aumento da oferta da dieta apenas através do escore “0”. Tal protocolo foi proposto devido ao fato de que o consumo estaria próximo ao seu limite máximo, e maiores aumentos causariam maiores quantidades de sobras.
  • Os escores 3 e -3 poderão ser atribuídos em qualquer momento do período de confinamento, pois são ajustes realizados no sistema manualmente pelo nutricionista, com a finalidade de garantir o suprimento adequado da dieta para os animais ou ajustes mais drásticos de fornecimento.
  • Ao realizar ajuste manual para aumento de fornecimento de dieta deve-se fazê-lo baseando-se no histórico do lote.

Abaixo encontra-se um resumo geral das leituras de cochos sugeridas:

IMPORTANTE: A sequência de baias deve ser mantida durante as leituras de cochos diárias!

A leitura de cocho deve ser feita aliada a uma observação do confinamento em geral, pois nesse momento é possível ajustar a quantidade de dieta a ser fornecida em cada baia, observar a estrutura do confinamento (cochos, bebedouros, cercas, etc.) e também o comportamento e as fezes dos animais.

Quantidade de tratos e horários

É sugerida a realização de ao menos dois tratos por dia. Um no período da manhã e um no período da tarde. Mais importante que o horário definido é o respeito aos horários definidos. Por exemplo, o primeiro trato deve ser iniciado às 7:00, o segundo as 13:00, todos os dias. A sequência de trato deverá ser mantida diariamente. Caso sejam usados mais tratos, as porcentagens em cada fornecimento vão depender da estratégia nutricional em uso. É recomendado que o primeiro trato seja menor, a fim de conseguirmos atender todas as baias do confinamento o mais rápido possível.

Preparação e fornecimento das dietas

Após a leitura de cocho, o responsável pelo confinamento deve lançar os escores atribuídos para cada baia, no programa de gestão escolhido. De acordo com cada nota de escore de cocho é realizado o ajuste de trato necessário. No programa de gerenciamento utilizado, já contendo os dados de consumo e histórico de leitura de cocho, devem ser gerados os fornecimentos de dieta para o dia, a quantidade exata a ser fornecida em cada baia e assim como o total de cada dieta a ser preparada nos vagões equipados com balança. Durante a preparação da dieta, os ingredientes são pesados no vagão, sempre estacionado em terreno plano, para evitar maiores variações na pesagem, respeitando sempre os pesos previstos para cada ingrediente da dieta. Caso haja extrapolação da quantidade prevista durante a pesagem dos ingredientes, o operador é orientado a realizar a remoção do excedido, imediatamente, sem adentrarem no vagão. Os núcleos a serem utilizados devem ser pesados separadamente em balança eletrônica auxiliar e adicionados no vagão misturador.

O primeiro ingrediente a ser lançado no vagão deve ser o volumoso e em seguida aquele utilizado em maior quantidade dentre os concentrados, na sequência é lançado o núcleo, o qual é misturado imediatamente aos primeiros insumos já lançados, através do acionamento do misturador do vagão. Após o lançamento de todos os ingredientes da ração, o misturador é novamente acionado e assim mantido durante o tempo necessário determinado para cada equipamento para realizar a mistura.

Diariamente deve ser realizada a avaliação da relação entre quantidade Prevista x Realizada durante a formação de vagões e do fornecimento da dieta. Tal comparação deve ser exposta no quadro de gestão à vista e apresentada aos operadores (Tratador e Pazeiro) no ato da entrega das fichas de trato.

IMPORTANTE: Não é recomendado que as variações sejam maiores do que 2%.

Avaliação de matéria seca nos ingredientes

A avaliação de matéria seca de ingredientes que apresentam maiores variações neste quesito, como as silagens e alimentos úmidos, deverá ser realizada três vezes por semana (segunda, quarta e sexta-feira) e na troca de silo ou da partida do insumo. Quando ocorrerem alterações, estas devem ser feitas também no programa, para ajustar a quantidade de matéria seca fornecida aos animais.

Checagens adicionais podem ser realizadas caso o supervisor do confinamento tenha alguma dúvida em relação aos insumos ou quando tivermos grandes variações de consumo geral no confinamento.

Estoque de ingredientes

Para facilitar o gerenciamento do estoque, o controle do mesmo deve ser realizado diariamente. Tal atividade deve ser feita ao final do dia, através da retirada do relatório do estoque de ingredientes, possibilitando a verificação das reservas de ingredientes, analisando se algum ingrediente atingiu o valor do estoque mínimo. Deve se contestar o relatório do sistema, checando com o estoque físico. Para que o estoque físico seja acompanhado de forma eficiente, devemos dar a baixa no uso de insumos diariamente e frequentemente realizar o inventário de estoque, de preferência quando determinado insumo seja zerado no estoque físico.

As movimentações de saída, realizadas através das formações dos vagões e de entrada, com a chegada de ingredientes, deverão ser feitas diariamente, para evitar furos de estoque.

Barracão

O barracão de ração deve ser monitorado e limpo diariamente. Os ingredientes deverão ser organizados e atenção especial deverá ser dado às sacarias, sempre dando o destino correto para os materiais descartáveis. A limpeza das dependências do barracão é fundamental para evitar a proliferação de pragas.

A organização dos alimentos em boxes separados deve ser sempre utilizada, a fim de evitar a mistura e contaminação dos diversos insumos usados no confinamento.

Outra prática a ser usada no barracão de insumos é utilizar sempre as matérias-primas mais velhas, adotando a política de “primeiro que entra, primeiro que sai” no uso dos alimentos.

Silagem

A Silagem é um ingrediente que merece atenção especial por dois aspectos. O primeiro relacionado a variação de matéria seca causada por diferenças dentro dos talhões de origem. O segundo, e não menos importante, está correlacionado com a sua qualidade. Para certificar se a silagem que será oferecida para os animais é de boa qualidade é preciso fazer a limpeza, quando necessária, da parcela não aproveitável do silo, para garantir que não estamos fornecendo silagem deteriorada para os animais.  A silagem deteriorada é uma fonte potente de fatores que levam a intoxicação (as vezes a morte) e também causam redução drástica no consumo, o que prejudica o desempenho dos animais.

Ao final de cada silo, deve se fechar a quantidade retirada e realizar o cálculo de perda para que possa gerenciar as perdas do processo de ensilagem. O tema será abordado em material referente ao manejo de silos e silagens, dada a importância deste tema.

Granulometria dos ingredientes

O equilíbrio alcançado após a adaptação dos animais deve ser mantido, pois sabemos que isso é muito importante para os animais. Um dos fatores que deve ser monitorado é a granulometria dos ingredientes. Atenção especial deverá ser dada a silagem no momento da confecção e durante o confinamento com a granulometria do milho, sorgo ou milheto. O grau de processamento desses ingredientes gera taxas diferentes de fermentações ruminais. Alterações ao longo do confinamento podem gerar distúrbios metabólicos. Por esses motivos devemos padronizar e garantir o mesmo grau de processamento desses ingredientes do início ao fim do período de confinamento.

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