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publicado em 14 de dezembro de 2020

CARNE BOVINA: TRADUZINDO A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A SOCIEDADE EM NÚMEROS

CARNE BOVINA: TRADUZINDO A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A SOCIEDADE EM NÚMEROS

A produção de carne bovina, além de ser essencial para a alimentação da população, origina muitos outros valores para a sociedade, como a geração de empregos e movimentação na economia nacional. Mato Grosso, maior produtor de carne bovina nacional, tem grande responsabilidade nestes resultados e é justamente isso o que iremos demonstrar, em números.

Como disse anteriormente, Mato Grosso lidera o ranking da produção nacional de bovinos de corte, atualmente composto por 30,5 milhões de cabeças, segundo dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso,  Indea-MT, o que é superior ao rebanho inteiro da Austrália! Ok, mas afinal o que isso representa, em números, a sua importância para a população?

Em 2019, de acordo com dados do IBGE, o estado produziu 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, volume destinado 25% para exportação e 75% para o mercado interno, pelas estimativas realizadas pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o Imea.  Apesar da maior parcela permanecer no mercado doméstico, o volume exportado tem aumentado, uma vez que nos anos anteriores a proporção era em torno de 80:20. Na figura 1, fica visível a movimentação dessas proporções.

Figura 1: Destino da carne bovina mato-grossense

Fonte: IBGE; IMEA. Elaborado por IMEA.

Este cenário é favorável para a sociedade, uma vez que a pecuária brasileira tem ganhado espaço no mercado internacional, o que acaba aumentando as oportunidades para abertura de mais plantas frigoríficas, aumento da utilização da capacidade industrial das plantas e, consequentemente, mais empregos.

Em 2019, por exemplo, houve habilitação de 7 frigoríficos para envios diretamente à China e em 2020 há mais 5 em fase final para o mesmo destino e mais 5 habilitados para o Egito. Diante da atual pandemia, verifica-se a importância do comércio internacional, pois enquanto o mercado interno está enfraquecido, as exportações para estes dois destinos estão com ritmo acelerado, o que acaba limitando maiores impactos na cadeia produtiva e fechamentos definitivos de plantas, como visto na crise de 2015.

Para se ter uma ideia, com o fechamento de frigoríficos em Mato Grosso em 2015, a quantidade de empregos foi de 128,6 mil. Já em 2019, foi registrada a quantidade de 138,8 mil empregos, valor 7,9% maior em cinco anos. Destes, 29,1% é gerado diretamente pela criação de bovinos, 36,9% indiretamente e 34,0% são induzidos pela cadeia (CAGED/RAIS).

Ademais, o desenvolvimento da cadeia também contribui de forma mais significativa para os produtores que dependem exclusivamente da atividade. Em Mato Grosso, por exemplo, estes são a maioria, uma vez que dos 111,6 mil produtores cerca de 80% são pequenos, totalizando 89,3 mil famílias segundo o Indea-MT.

Além de empregos, a cadeia da carne bovina contribui significativamente com a economia. O Imea estimou que em termos de valores, a pecuária como um todo representa 22,9% do Valor Bruto da Produção (VBP) da Agropecuária estadual, contribuindo com R$ 19,9 bilhões em 2020, enquanto somente a bovinocultura de corte é responsável por 18,1%, ou seja, R$ 15,8 bilhões (figura 2).

Figura 2. Valor Bruto da Produção (VBP) da Agropecuária e seus setores.

Fonte: Imea. *6ª estimativa; **2ª estimativa.
Vale ressaltar aqui que toda esta conjuntura, não seria possível se dentro da porteira o produtor não tivesse aumentando a sua produtividade, ainda mais diante dos custos elevados e que não param de subir.

A exemplo disso temos a China, principal cliente na cadeia da carne bovina em Mato Grosso. Os chineses possuem exigências de padrões de animais com até 4 dentes, ou seja, animais mais precoces devido à sua carne macia e maior rigor sanitário.

A figura 3 demonstra exatamente a adaptação do produtor mato-grossense pelo aumento da proporção de animais abatidos entre 24- 36 meses e com menos de 24 meses e redução de bovinos acima de 36 meses.

Este novo perfil de produtor, inclusive, tende a se consolidar cada vez mais, uma vez que aquele que não se adaptar tende a sair da atividade, o que acaba impactando a sua própria renda e, consequentemente, a do mercado nacional.

Figura 3. Proporção da idade de abate de bovinos em Mato Grosso.

Fonte: Indea-MT. Elaborado por Imea.

EM RESUMO – Este conjunto de números demonstra exatamente a importância da cadeia da carne bovina para a população e economia do estado. Em cenários de crise, como a atual pandemia em que estamos vivendo, se vê ainda mais a relevância da cadeia, desde a carne na mesa das pessoas até a sustentação do mercado via comércio internacional.

Além disso, não podemos esquecer que o pecuarista é essencial neste mercado desde a produção do alimento até consolidação de novos clientes internacionais para o país, pois mesmo em circunstâncias em que as margens da atividade estão apertadas, ele tem trabalhado para ser mais produtivo, permitindo o crescimento da cadeia e desenvolvimento do estado e país.

Nota do editor: Diante da crise causada pela COVID-19, centenas de famílias e pessoas autônomas de Mato Grosso enfrentam desafios enormes para manterem sua fonte de renda. Consequentemente, o consumo de carne bovina por essas pessoas diminuiu, e nós, da Nutripura, sabemos que a falta dessa importante proteína no organismo pode ser prejudicial à saúde.

Com o seu apoio, nós podemos ajudar doando 1 cesta de carne bovina para cada uma das mais de 2.000 famílias afetadas pela pandemia.

Para conhecer a campanha, basta acessar www.carnenamesa.com.br.

Você tambem pode acompanhar a campanha no Facebooke no Instagram!

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    Marianne Tufani

    Analista de Inteligência de Mercado no IMEA
    Líder do núcleo de inteligência de mercado pecuário (corte, leite, suínos e aves).